Seu Zé (Teixeira) mais perto da cadeia; parlamentar vê a sua 7ª reeleição em xeque

Um dos mais antigos parlamentares em exercício na Assembleia Legislativa, José Roberto Teixeira, o popular Zé Teixeira (DEM), foi preso em um hotel de Campo Grande, na manhã desta quarta-feira (12). O político, dono de inúmeras propriedades rurais em diferentes municípios do estado, foi um dos alvos da Operação Vostok, desencadeada pela Polícia Federal com base na deleção premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, proprietários do grupo JBS, e de outros conselheiros e executivos da empresa.

Zé Teixeira está concorrendo para o sétimo mandato parlamentar, ele ocupa a cadeira na Assembleia Legislativa desde 1995 (23 anos) e sempre esteve envolvido com o setor agropecuário e defende os interesses dos fazendeiros diante das questões de invasões indígenas, um dos problemas mais graves no Estado. Atualmente, Teixeira ocupava o cargo de primeiro-secretário da ALMS.

O ‘Seu Zé’, como gosta de ser chamado quando está discursando ou pedindo votos, foi um dos principais alvos da ação policial de hoje. Além de ter sido preso em cumprimento de um mandado de prisão temporário, o político também teve a casa onde mora, em Campo Grande, o gabinete parlamentar na Assembleia e a sede da empresa de compra e venda de gado, em Dourados, revirados pelos federais.

gabinete-ze-teixeira
Gabinete do deputado Zé Teixeira, na Assembleia Legislativa, algo da PF

Segundo a investigação, a empresa do parlamentar emitiu pelo menos duas ‘notas frias’, em 16 de setembro e em 28 de outubro de 2016, que somaram o valor de R$ 1,6 milhão. O montante, na verdade, foi pago em forma de propinas para políticos de MS, entre os beneficiados estaria o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), um dos principais aliados de Zé Teixeira no Estado. Inclusive, na noite de terça-feira (11), o parlamentar participou de um comício na Capital, ao lado do candidato a vice-governador Murilo Zauith (DEM).

A investigação

De acordo com a PF, devido a acordos de benefícios fiscais concedidos pelo governo estadual, a JBS teria deixado de recolher aos cofres públicos um total superior a R$ 200 milhões. O total corresponde aos anos de 2015 e 2016. Do total de créditos tributários auferidos pela empresa, um percentual de até 30% era revertido em proveito da organização criminosa investigada. Nos autos do inquérito, foram juntadas cópias das notas fiscais falsas utilizadas para dissimulação desses pagamentos e os respectivos comprovantes de transferências bancárias.

A PF apurou que parte da propina acertada teria sido antecipada na forma de doação eleitoral oficial, ainda durante a campanha para as eleições de 2014, quando Reinaldo Azambuja foi eleito para o primeiro mandato. Alguns pagamentos também teriam ocorridos mediante entregas de valores em espécie, realizadas nas cidades de Rio de Janeiro e São Paulo, no ano de 2015.

Os envolvidos no esquema também faziam a emissão de notas frias, que era chamado de “boi de papel”. O documento eletrônico mostrava que a JBS comprou gado, mas os animais não deram entrada no frigorífico. Conforme planilha divulgada pelos irmãos donos do JBS, em delação à Lava Jato no ano passado, as notas foram emitidas por nove produtores rurais de MS, além do frigorífico Buriti Comércio de Carnes. As denúncias da JBS eram de um suposto pagamento de R$ 33 milhões em propinas.

A operação de hoje contou com a participação de 220 policiais, que cumpriram 14 mandados de prisão temporária em Campo Grande, Aquidauana, Dourados, Maracaju, Guia Lopes de Laguna; e Trairão, no Pará. Foram cumpridos ainda 41 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça de Mato Grosso do Sul, a pedido da Promotoria do Patrimônio, um deles na casa do governador Reinaldo Azambuja.

O nome ‘Vostok’ foi retirado de uma estação de pesquisa russa, localizada na Antártida, onde já foi registrada uma das menores temperaturas da Terra. O nome faz referência às notas fiscais frias utilizadas para a dissimulação dos pagamentos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s