Querem acabar com o Carnaval na Esplanada Ferroviária

Carnavalescos, foliões e festeiros prometem resistir à determinação do Ministério Público Estadual (MPE/MS), que proibiu a Prefeitura de Campo Grande de permitir e promover os tradicionais eventos de Carnaval na região da esplanada  ferroviária. A vedação dos blocos e cordões, que ocupam o espaço há pelo menos 10 anos, leva em consideração um extenso abaixo-assinado promovido pelos moradores daquele entorno, sustentados pela tese do som alto, algazarra e depredação do patrimônio público.

Pelo lado cultural, como a Secretaria Municipal de Cultura e a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), há o entendimento de que não é necessária a retirada dos blocos e cordões da área, entretanto, entende-se a necessidade de promover mudanças em prol da segurança tanto do público quanto do bem patrimonial. Uma reunião deve acontecer nos próximos dias com representantes de todas as partes envolvidas no processo, especialmente dos moradores.

Pelas redes sociais, blocos e cordões independentes já estão promovendo o movimento #carnavalnaesplanadasim, uma campanha em prol da continuidade dos festejos na esplanada da ferroviária. Vários artistas e pessoas ligadas ao Carnaval na Capital já aderiram à iniciativa. Em nota oficial divulgada também pelas redes sociais, os blocos e cordões independentes repudiaram a determinação do MPE/MS e alegam ainda que a justificativa – de que a esplanada não comporta mais o número do público – está equivocada.

“Entendemos que essa posição do MPE é equivocada, por desconhecer o movimento cultural, folclórico legítimo, que é o carnaval. Carnaval, uma festa eminentemente popular, que contribui fortemente para o aquecimento da economia de Campo Grande, por meio do aumento do turismo no período, e que gera trabalho e renda para muitas pessoas.”, diz um trecho da nota.

A batalha pela esplanada

Esplanada Ferroviária
Moradores do entorno da Esplanada Ferroviária alegam que barulho e depredação incomoda

Na recomendação, assinada pela 26ª Promotoria de Justiça e enviada a Prefeitura, o órgão ressalta que levou em consideração para a determinação do fim dos eventos carnavalescos o fato de os moradores da região estarem muito incomodados com as festividades, dissabores, insegurança e danos gerados por elas. Neste ano, o Cordão Valu, o mais popular da Capital, atraiu um público de 35 mil pessoas. O Município tem o prazo de 10 dias para responder e informar se adotará, ou não, as medidas recomendadas.

Ainda conforme o MPE, os relatórios do carnaval 2017 e 2018 evidenciaram aumento expressivo do público e danos ao patrimônio histórico e cultural, bem como a existência de dois pontos de vulnerabilidade e preocupação, como um posto de combustível, o qual por sua localização e o risco, oriundo dos produtos inflamáveis, pode ensejar perigo à vida, e à Santa Casa de Campo Grande. “O crescimento expressivo do público na festividade do carnaval não acompanhou as normativas primordiais e necessárias para a proteção do bem tombado e patrimônio cultural e para a própria segurança da população.”, ressalta a recomendação.

Na decisão, a Prefeitura deve determinar um novo local para os blocos e cordões carnavalescos, entre as opções que já foram apontadas está o Autódromo Internacional, afastado da cidade. Entretanto, a distância tem sido exatamente a maior queixa do público. Na recomendação, o MPE ressalta que os eventos carnavalescos devem ser promovidos em locais com estrutura adequada, onde não existam bens culturais que possam ser expostos a riscos. A Prefeitura ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto.

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