Vai um pão de barata ai? Pesquisadores desenvolvem farinha de inseto e produzem primeiros alimentos

Pesquisadoras da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), no Rio Grande do Sul, desenvolveram um pão elaborado com farinha de barata desidratada. Sim, você não leu errado, estamos mesmo falando das nossas amigas imortais, as baratinhas. A ideia do alimento é para que seja uma alternativa diante da futura escassez de proteína animal, estimada para ocorrer nos próximos 30 anos, conforme a estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), que recomenda a introdução dos bichinhos na nossa alimentação.

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As baratas cinéreas, de origem africana e produzidas em laboratório, são próprias para consumo humano — Foto: Divulgação/BBC

Entretanto, caro leitor, não pense que os insetos usados no preparo do alimento em pauta são as nossas colegas de casa, as baratas cascudas e domésticas (Periplaneta americana). Conforme as informações do site BBC, as baratas usadas na produção do pãozinho são as cinéria (Nauphoeta cinérea), de origem africana, produzidas em cativeiro e próprias para consumo humano, com cerca de 70% de proteínas. O quilo da barata desidratada custa R$ 200.

Para o preparo, os insetos foram moídos em um moinho de bolas, um equipamento especializado para moer matérias sólidas e obter partículas pequenas. O material obtido foi peneirado para ficar homogêneo. Usando a receita tradicional do pão, foram adicionaram 90% de farinha de trigo comum e apenas 10% da farinha de barata. O resultado foi surpreendente, o teor proteico do pão aumentou 133%.

Para efeito de comparação, uma fatia de 100 gramas do pão caseiro feito com farinha tradicional tem 9,7 gramas de proteínas, enquanto uma fatia de 100 gramas do pão de barata tem 22,6 gramas de proteína e ainda 68% menos quantidade de gorduras. Segundo as pesquisadoras, o pão de barata tem o mesmo cheiro e gosto de qualquer outro pão comum, mas com um toque de oleaginosas e amendoim.

O grupo agora irá investir nos estudos de outros insetos, como o grilo preto (Gryllus assimilis) e o tenébrio comum (Tenébrio molitor), um tipo de larva do besouro. Eles querem produzir outros alimentos, como bolos, massas e barras de cerais. Ao mesmo tempo, é válido lembrar que o consumo de insetos por humanos ainda não está autorizado e nem regulamentado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que só permite o uso para alimentar outros animais.

Brasil é rico em produção de insetos

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Entre as iguarias nas lojas espanholas, os consumidores encontram chili de vermes, barras de chocolate amargo com figos e grilos em pó, além de massas e granola repletas de insetos.

Aproveitando o gancho, a Associação Brasileira de Criadores de Insetos (Asbraci) ressalta que o Brasil detém a maior biodiversidade de espécies de insetos do planeta e possui pelo menos 135 tipos relatados como comestíveis (divididos em 9 ordens, 23 famílias, 47 gêneros e 95 espécies). O clima tropical e a presença do sol o ano todo torna o país um candidato perfeito para a criação e colheita de insetos, sendo uma alternativa sustentável e de baixo custo.

Na Espanha, a rede de supermercados Carrefour lançou em maio deste ano um setor de alimentos produzidos à base de insetos. Entre os produtos estão barras de cereais, snacks e granola, todos embalados em papel reciclável e com rótulos detalhados sobre a qualidade nutricional.

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