Aos 71 anos e derrotado pela primeira vez. Será que chegou ao fim a vida política de Maurício Picarelli?

O pleito eleitoral do último dia 07 colocou fim, ou promoveu uma pausa temporária, numa das carreiras políticas mais brilhantes e reconhecidas de toda a história parlamentar de Mato Grosso do Sul (sem exagero, mas excluindo as polêmicas). Com 32 anos de atividade na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Maurício Picarelli (PSDB) desta vez não foi reeleito para uma nova legislatura, o 9º mandato. Ele usou a tribuna da Casa na sessão ordinária desta quarta-feira (10) para comentar sobre o resultado das eleições estaduais e o seu futuro.

Emocionado, o parlamentar, que é reconhecido por ser o deputado com maior número de leis aprovadas, mais de 240, declarou que “só Deus sabe o que tem pela frente na vida”. “Tenho a certeza de que ninguém esquecerá o meu trabalho e de todos os parlamentares desta casa, eleitos ou não reeleitos.”, destacou. Ele também afirmou que já a partir do próximo ano vai retornar às atividades de apresentador de TV e de rádio, atividade que exerce há mais de 40 anos.

No seu discurso, o político veterano também falou sobre o chamado ‘efeito Bolsonaro’ nas eleições de Mato Grosso do Sul. “Mais do que uma renovação a gente sente na população de cada município do nosso Estado um sentimento de esperança por alguma mudança.”, enfatizou. Picarelli tem 71 anos de idade, o que coloca em dúvida se ainda dedicará á vida política daqui para frente. Em uma entrevista para este que vos escreve, no ano de 2014, o político comentou que nunca havia sido convidado por nenhum partido para disputar ‘cargos maiores’, como de senador ou deputado federal.

Queda no número de votos

A derrota de Maurício Picarelli não é nenhuma surpresa se analisarmos o desempenho do político ao longo dos últimos três pleitos eleitorais. Em 2010, quando disputou o cargo com a sigla do PMDB (hoje MDB), o parlamentar foi reeleito somando 28.277 (2,37%) votos, quase oito mil votos a mais que o obtido nas eleições anteriores, de 2006, quando totalizou 20.455, na época, com as cores do PTB.

A partir de 2010, com o crescimento do ‘movimento por renovações na política’, o número de apoiadores do político começou a cair consideravelmente. Nas eleições de 2014, ainda pelo PMDB, Maurício Picarelli perdeu 5.951 votos. Naquele ano, o parlamentar foi reeleito somando 22.326 votos (1.70%). Agora em 2018, disputando pelo PSDB, o político somou apenas 8.010 (0.62%) votos, uma redução de mais de 14 mil votos.

O legado de Picarelli

No entendimento de Maurício Picarelli, os votos destas eleições não foram decepcionantes. “Fiquei 32 anos nesta Casa e saio de cabeça erguida por todo trabalho feito pela população. Uma população que é beneficiada por mais de 240 projetos aprovados.”, disse, mencionando ainda que no período foi presidente da UNALE (União Nacional dos Legislativos Estaduais), do Parlasul (União dos Parlamentos dos Estados do Sul) e também da UPM (União dos Parlamentos do Mercosul). Nas instituições, o político sempre defendeu parcerias e integração para o desenvolvimento social e econômico de MS.

O deputado também agradeceu ao apoio de todos os deputados estaduais que durante os últimos 17 anos o encarregaram para ser o Corregedor da Assembleia Legislativa. “Sou uma pessoa que saio agradecido a esse parlamento, aos meus colegas deputados de todos os mandatos, aos funcionários da Assembleia, imprensa, a minha equipe de trabalho, a Deus, a minha esposa Magali Picarelli, que sempre me apoiou, e a toda minha família.”, concluiu.

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