Entrada de haitianos na capital é discutida em reunião na OAB/MS

Diante do aumento no número do fluxo de entrada de haitianos em Campo Grande a Comissão de Apoio aos Refugiados Haitianos, a Comissão de Segurança Pública, membros de entidades e da sociedade civil se reuniram na manhã desta terça-feira (30) no plenário da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS) para deliberar ações para o melhor atendimento aos imigrantes.

O Presidente da Comissão de Apoio aos Haitianos, Elton Nasser explica que a reunião foi marcada com o objetivo de verificar a questão do crescimento no número de imigrantes não só haitianos, mas venezuelanos também em Campo Grande. Elton conta que há a necessidade de prevenção.

“Precisamos estabelecer medidas de conteúdo preventivo para que o nosso estado possa estar aparelhado em relação a acolhida dos imigrantes. Há necessidade de uma reunião com a bancada federal para que ela possa verificar os aspectos legais refentes a imigração, a questão da órbita constitucional e como pode ser feito o controle das fronteiras em âmbito legal. Vamos fazer uma nova reunião com a presença do Ministério Público e da Defensoria Pública da União”.

A Secretária de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhast) Elisa Cleia Nobre disse que muitas pessoas ainda desconhecem a grande presença dos haitianos no estado, e a reunião é mais uma forma de ajudar os refugiados e cobrar outras instituições nesse sentido.

“Nós temos a necessidade de uma atenção especial de todas as instâncias, União, Estado e Município, para que o acolhimento dessas pessoas que estão chegando aqui em uma situação muitas vezes de vulnerabilidade, sejam realmente atendidas”.

Elisa Cleia conta que os haitianos estão vindo para o estado em busca de oportunidade de uma vida melhor.

“Muitas vezes a gente pensa que estão vindo para tomar o nosso lugar, e não é dessa maneira. Estão vindo por uma necessidade, porque ninguém deixa a sua casa, tudo para trás, por querer. Estão vindo para contribuir com o nosso estado. Existe uma geração de mão de obra. Hoje nós temos mais de 1000 imigrantes empregados em Mato Grosso do Sul, esse é um dado da Funtrab. É um número grande. Eles vem para contribuir e nós precisamos, a muitas mãos, contando com a sociedade civil, as instâncias, somar para que a gente possa fazer um bom trabalho de acolhimento a cada um desses imigrantes que procuram nosso estado”.

A Coordenadora da Pastoral do Migrante da Arquidiocese de Campo Grande, irmã Rosane Costa Rosa salienta que essa movimentação dos haitianos de virem em grupos menores é nova, e Campo Grande precisa se estruturar para conseguir recebê-los.

“O que está acontecendo é uma novidade dentro do fluxo migratório que estamos acostumados a ver. Por exemplo, quando chegam 100, 200, 300 haitianos, vem o emergencial, a atenção a crise humanitária, vem todos esses atendimentos. Só que a novidade que está ocorrendo são as entradas em pequenos grupos, 10, 15, 20, ficam um ou dois dias. Na reunião estamos pontuando esse atendimento a eles. Por exemplo, onde eu vou colocá-los para dormir uma noite ou duas? Como vamos alimentá-los? Colchões para dormirem? Alguns ficam e outros continuam a viagem e é uma demanda que está crescendo e a tendência é crescer mais”.

Outras questões abordadas pela irmã Rosane foram a dificuldade de comunicação no atendimento, principalmente em unidades de saúde, por causa da língua falada, os horários de chegada dos imigrantes, já que muitos adentram na cidade nos feriados, finais de semana e de madrugada, horário que órgãos públicos já não estão em funcionamento.

A Presidente da Comissão de Segurança Pública, Claudia Paniago conta que serão encaminhados ofícios para órgãos públicos com solicitações para melhoria no atendimento dos haitianos.

“Vamos solicitar uma diferenciação no atendimento de acolhimento dos migrantes e imigrantes para a população em situação de rua, porque nem sempre estão na mesma situação social. Pedir para melhorar os locais de acolhimento, aprimoramento do Centro de Encaminhamento do Estado, a Associação dos haitianos também precisa de um espaço físico para que possam ajudar no acolhimento”.

Participaram da reunião ainda a Vice-Presidente da Comissão de Segurança Pública, Izabela Saldanha; Advogado Marco Barbosa; representantes da Secretaria Municipal Assistência Social (SAS), da Associação Haitiano Brasileira, da Pastoral do Migrante.

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