‘Mais Médicos’: não há falta de profissionais, há falta de governo

Caíram por terra as ilações de que os recém-formados em medicina, já com registro nos Conselhos Regionais de Medicina, não demonstravam interesse em atuar nas regiões mais remotas do país? Não.

Naquele primeiro momento, quando do lançamento do programa, houve certo descrédito por parte dos profissionais brasileiros de que o programa avançaria.Os motivos foram evidentes: a falta de estrutura da Saúde brasileira – que sequer dá condições de trabalho nos grandes centros, que dirá dos rincões mais longínquos– e, pós-diagnóstico, a falta de medicamentos para o tratamento.

Depois, conforme denúncia da Rede Bandeirantes em seus noticiários – com gravações entre autoridades dos países Brasil e Cuba – tivemos conhecimento de que o “programa”, na verdade, não foi proposto pelo Brasil, mas elaborado por Cuba. Conforme cálculos feitos e divulgados (perdoem, não guardei a fonte, mas vou pesquisar) há impossibilidade daquele país colocar essa quantidade enorme de profissionais médicos quando as universidades daquela ilha não conseguem formar tantos profissionais em tão pouco tempo a ponto de colocar mais de oito mil médicos em outra região.

Não há falta de profissionais, há falta de governo.

É caótica a situação da Saúde Pública no Brasil. Diversas situações levam a isso. A primeira é a proliferação de Faculdades de Medicina que oferecem um péssimo serviço. Sem estrutura, sem nada, mas com as benesses concedidas pelos programas que impediram o fechamento dessas unidades educacionais, mantendo-as com dinheiro público. Felizmente esses estudantes são avaliados pelos Conselhos de Medicina para conquistar seu registro.

Conseguido o registro, como dar estrutura para que os profissionais trabalhem nas mais distantes regiões, sem possibilidade de viajar para simpósios, palestras e cursos de aperfeiçoamento. Estaremos estagnando toda uma geração.

E as condições de trabalho? Na falta de medicamento receitar chás deervas, benzedeiras, rituais que diferem de toda a ciência aprendida e apreendida? Pedir uma ressonância aonde? Aguardar um ecocardiograma uma mamária para determinar um diagnóstico? Ainda que aprendam muito a respeitar as condições e tradições locais que dão suporte ao desempenho da Medicina.

Ainda assim, “o Ministério da Saúde informou que no segundo dia de inscrições (até às 17h), o número de inscritos chegou a 11.429 com CRM Brasil. Desse total, 5.212 foram efetivadas e 3.648 profissionais selecionaram o município de atuação. O edital foi publicado no Diário Oficial da União da última terça-feira (20/11). São ofertadas 8.517 vagas para atuação em 2.824 municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), que antes eram ocupadas por médicos da cooperação com Cuba.Os profissionais podem se inscrever por meio do site maismedicos.gov.br.”

Saúde Pública não são apenas médicos (em suas diversas especialidades),enfermeiros, técnicos diversos, auxiliares, pessoal de suporte. É estrutura de medicina. Nisso necessita unidades de saúde, hospitais, clínicas públicas,todos com estrutura. Precisa, principalmente, que cessem os desvios de verbas,a corrupção proporcionada pelas indústrias e aceitas por secretários,administradores, profissionais imorais (esses são poucos, felizmente, e abarcam todas as profissões).

Enquanto não cuidarmos decentemente da Saúde Pública haverá óbitos derivados do descaso. Os atestados de óbito deveriam ser mais bem redigidos, imputando a responsabilidade a quem de fato matou o paciente, nem sempre a doença, mas a falta de condições oferecidas para que essas vidas sejam salvas.

Vale lembrar que uma paciente veio à óbito recentemente na Capital de Mato Grosso do Sul por falta de estrutura dos laboratórios – que impediu um diagnóstico correto à tempo – e falta de medicamentos que deveriam ter sido disponibilizados e mantidos em estoque pelo Ministério da Saúde, mas que não haviam. Qual a causa do óbito, doença ou negligência?

Imagem: Blog do Bozó 

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