A doença do governante é manter a Saúde Pública na UTI

Por que vou investir na Saúde Pública? Não vou.

Ainda que se faça um excelente trabalho na saúde pública, todas as pesquisas irão indicar que essa, seguida da segurança, é o item com menor apreciação. Nosso povo está doente, estará doente e sempre será doente.

Drogaria Rio de Janeiro vermelhado

Pessoas sofrem de desmerecimento. Estão carentes e abandonadas. Cidadãos vão às unidades de saúde para mendigarem um tanto de atenção. São dores subjetivas, em sua maioria apenas sugestivas, doenças da solidão, do abandono, do des­me­re­cimento.

E quais motivos os “governantes” teriam para investir em saúde? Nenhum.

Doença dá lucro. Trabalhei na Saúde Pública e constatei o superfaturamento de gestões anteriores temerárias e bandidas. Superfaturamentos de 200%, 300%.

O “cala a boca”. Medicamentos que são oferecidos e, portanto, seus valores são ignorados. Basta ter o medicamento no posto… Mas nem sempre tem, porque a saúde pública nunca funcionou.

Apenas que ninguém, jamais, questione os dirigentes. “Ele tentou, mas a saúde sempre foi assim”. E em quem recai a culpa por essa Caixa de Pandora aberta no mais fétido esgoto? Nos servidores da Saúde. A ponta, aquele que dá a cara a tapa. Pessoal de limpeza e manutenção, técnicos de enfermagem, enfermeiros, profissionais médicos, odontólogos, ortopedistas, fisioterapeutas etc.  Administrativos…

Mea culpa do jornalismo

Se os profissionais jornalistas, em sua maioria, se preocupassem mais com suas profissões e menos em vender-se aos governantes de plantão (plantão, pois são eleitos para exercerem suas atividades por determinado período); se soubessem determinar e trabalhar o que é equipe de vendas de publicidade, separada de jornalismo, se soubessem se fazer entender de que a notícia deve ser franca e verdadeira e que as críticas são necessárias para, até corrigir os rumos das administrações. Mas, não.

Acostumados com os assessores que apenas elogiam, num puxa-saquismo sem limites, alimentando os egos e vaidades dos políticos que pensam mais em seus retratos nas paredes e menos na administração. Políticos que se locupletam dilapidando o erário e se sustentam de uma Justiça lenta, que impede que juízes e desembargadores os julguem, pois estão atrelados a uma lei tacanha, onde hora bloqueiam seus bens e, escudados em advogados sagazes (não justos), retomam seus valores surrupiados da população.

A quem cabe a culpa, afinal? Aos eleitores que os elegem, e reelegem, e tornam a eleger para os mais diversos cargos.

No caso da Saúde Pública, elegeram um prefeito em Campo Grande/MS que, por sua vez, nomeou um médico sem qualquer histórico na administração da saúde, e por falta de força de comando, por incapacidade mesmo, encerrou diversas ações que estavam tornando o atendimento médico em Campo Grande exemplo para as demais capitais do país.

Enfim, profissionais da saúde deixaram seus postos; mesmo com bons salários apresentados, muitos não aceitaram trabalhar nas (falta de) condições oferecidas, na falta de pulso quando do enfrentamento com a  Secretaria Estadual de Saúde e do Ministério da Saúde, na falta até de materiais básicos. Por quê? Pois sabiam que essas condições recairiam sobre suas responsabilidades. Ainda que sem culpa.

As condições são péssimas, conforme reportado por parte da mídia. Pacientes das classificações vermelha e amarela (extremamente graves e graves) atendidos em macas improvisadas dos atendimentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e do Corpo de Bombeiro Militar do Estado de Mato Grosso do Sul. Macas que ficam indisponibilizadas para outros atendimentos. Convênios com hospitais particulares são rompidos tirando a esperança daqueles que aguardam por cirurgias. Isso é o que nos é oferecido.

Não existe política de governo, existe política de partidos e famílias. Parece que parte da Justiça, ainda que atrelada às Leis criadas e estabelecidas pelos políticos, sem participação dos juristas, senão de advogados eleitos aos cargos públicos, mais em função do caixa disponível para investimento nas campanhas, prevalece.

Saúde Federal

Após o susto das urnas, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, percebeu a necessidade de nomeações políticas. Sem sair de seu viés de palanque, que prometia técnicos para os ministérios, nomeou o ex-secretário de Saúde de Campo Grande, durante a gestão de Nelsinho Trad, Luiz Henrique Mandetta (DEM) para gerir o  Ministério da Saúde  e alegou que ele, Mandetta, ainda que esteja com os bens bloqueados, bem como o ex-prefeito e outros empresários em razão do fiasco (vamos dizer assim para não ser mais incisivos) “Gerenciamento de Informações Integradas da Saúde – Gisa”, ainda não foi julgado, é apenas réu.

Na Justiça de Mato Grosso do Sul, o caso não foi levado adiante apesar das denúncias do Ministério Público Estadual, mas por envolver também recursos federais, a investigação foi proposta pela Procuradoria Geral da República, em Brasília, supervisionada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e realizada pela Polícia Federal. O Gisa custou aos cofres públicos quase R$ 10 milhões entre recursos federais e municipais. Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou um prejuízo de cerca de R$ 6 milhões em pagamentos indevidos por serviços não executados. Mandetta teve os bens bloqueados em uma ação civil pública relativa ao caso.

E agora o próprio ministro foi questionado pelo presidente por propor ações para a futura gestão que não são sustentáveis, ou contrárias à determinação do presidente? Parece que para manter alguns nomeados Bolsonaro terá que realmente botar o exército nas ruas.

A história muda, ela é dinâmica, ainda que seja repetitiva. A casa começou a cair, ainda não chegou nesse estado do Velho Centro-Oeste, mas engatinha, prestes a começar a andar.

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