Em Ladário, prefeito sem força política se humilha comprando apoio de vereadores sem ética

O ‘mensalinho’ de Ladário, esquema investigado pelo Ministério Público Estadual (MPE/MS) e que resultou na prisão do prefeito Carlos Ruso (PSDB), do secretário municipal de Educação, Helder Botelho, e de sete vereadores, estava em ‘funcionamento’ há mais de um ano e consistia em um “conluio”, uma espécie de acordo entre os poderes legislativo e executivo para a aprovação de projetos. A presença do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) mudou os ares da pacata cidade pantaneira, onde seus habitantes sequer imaginavam que tal crime, típico de cidades grandes, pudesse ocorrer naquelas bandas.

Mercabat final

Ladário tem 11 vereadores que recebem mensalmente cerca de R$ 6 mil, sete deles foram presos e afastados dos seus cargos temporariamente. São eles: a segunda vice-presidente da Câmara, Lilia Maria Villalva de Moraes (MDB), o segundo secretário, Vagner Gonçalves (PPS), Agnaldo dos Santos Silva Junior (PTB), André Franco Caffaro (PPS), Augusto de Campos (MDB), Paulo Rogério Feliciano Barbosa (PMN) e Osvalmir Nunes da Silva (PSDB).

De acordo com o Procurador-Geral de Justiça, Paulo Cezar dos Passos, o “mensalinho” vinha sendo pago há mais de um ano, em valores de ‘vivos’ na ordem de R$ 3.500, R$ 1.500 e R$ 2.500 para os vereadores darem apoio político ao prefeito. O pedido de prisão preventiva (por tempo indeterminado) e o afastamento do cargo dos acusados foram solicitados porque as provas obtidas durante a investigação são “contundentes” e muito graves.

O Gaeco chegou a apreender alguns pagamentos do chamado “mensalinho”, ainda na fase de investigação. Conforme Paulo Passos, os pagamentos garantiam a aprovação de projetos políticos que atendiam aos interesses do prefeito Carlos Ruso. Foram apreendidos na operação desta segunda-feira vários documentos na Prefeitura de Ladário e na Câmara Municipal, todas as provas foram levadas para Campo Grande, assim como todos os nove políticos presos na ação. Eles responderão por crimes de associação criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva.

“Havia a necessidade do afastamento dessas pessoas do comando do município de Ladário e do Legislativo e também havia necessidade da prisão preventiva para evitar que esses crimes continuem a ser cometidos. Na visão do Ministério Público, essas provas são contundentes, os fatos são graves e não é possível mais que pessoas que detêm o poder político tratem a coisa pública como se particular fosse, a sociedade não tolera mais atos de corrupção e o Ministério Público vai agir sempre com independência, rigor, com bom senso, mas principalmente cumprindo o que determina a Constituição e a Lei.”, declarou ao site Diário Corumbaense.

Conforme as informações do site Diário Corumbaense, o vice-prefeito de Ladário, Iranil Soares (PSDB), deve ser nomeado ainda nesta segunda-feira (26) para assumir a cadeira principal do Executivo Municipal, da mesma forma que os suplentes dos vereadores presos. O novo secretário de educação deve ser definido no decorrer desta semana pelo novo prefeito da cidade. Os novos vereadores são: Antônio João Conde (PSDB), Xumi (PSD), Zica (PSD), Rubens Gilmenes (PTB), Delari (PP), Gesiel (PEN) e Papai Noel (PPS).

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