Dois ministros de Mato Grosso do Sul para o Brasil

São dois ministros indicados oriundos do Mato Grosso do Sul; Tereza Cristina, coordenadora da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) e deputada federal pelo DEM, para o ministério da Agricultura; e Luiz Henrique Mandetta, secretário de Saúde do Município de Campo Grande (2005-2010), durante a gestão de seu primo Nelsinho Trad, antes de ser eleito deputado federal  em 2010 e reeleito em 2014, pelo DEM, e que não concorreu nas eleições de 2018.

Big Ben 1

Perfil

Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias

Atual deputada federal, ministra da Agricultura indicada pelo presidente eleito Jair Messias Bolsonaro, ex-secretária de Estado de Desenvolvimento Agrário, Produção, Indústria, Comércio e Turismo de Mato Grosso do Sul (Seprotur) – supersecretária – entre 2007 e 2014, acredita que a questão é saber priorizar.

Sua posição

Na iniciativa privada faz-se a coisa acontecer, já no governo a coisa não é bem assim, pois demora mais tempo entre tomar a decisão e a realização. “É importantíssimo para o Brasil trabalhar com tecnologia de ponta, mas com a atual situação de crise, onde não há dinheiro para nada, não há dinheiro para a saúde, não há dinheiro… São coisas completamente diferentes, mas a questão é saber se é prioridade”, disse em entrevista anterior.

Nesses quatro anos exercendo o mandato de deputada federal Tereza Cristina observou que os deputados não podem pensar apenas em seus mandatos, têm que ter a grandeza para resolver problemas cruciais para o Brasil e acredita que a sociedade tenha essa percepção e provocado a renovação na Câmara, no Senado e determinado a mudança nos rumos da governabilidade.

Sobre o agronegócio no Brasil, diz que esse é o meu tema, o assunto que teoricamente tem que saber, não só para o Centro-Oeste, mas para o desenvolvimento do país. “Nós precisamos parar de o governo querer se meter em tudo. Nós temos que deixar os elos da cadeia, se ajustarem. Nós temos que adequar a nossa legislação para que ela possa ser cumprida. Por vezes, criamos leis que são impossíveis de serem obedecidas”, disse.

O escândalo da Petrobras, quer queira, quer não, trouxe uma insegurança enorme para os investidores externos. Não falo só do agronegócio, mas o escoamento industrial, os nossos portos, hidrovias, ferrovias e rodovias, por serem investimentos vultosos, mais uma vez serão postergados.

Na questão indígena,  a ministra acredita que a demarcação, a partir da determinação de que o Congresso se aproprie do tema vai torna-la mais morosa, mas é favorável, pois o problema é que o Brasil não tem uma política pública para a questão indígena. Existe um desmando na Funai, ONGs internacionais que palpitam sobre nosso território.

A decisão passando a ser do Congresso dará mais segurança jurídica às pessoas que aqui investem e ao produtor rural. Segundo ela, hoje existe um desmando, uma burla à Constituição, quando pessoas que têm escrituras há mais de 90 anos estão sendo retiradas. “Não é contra os índios, eu acho que nós temos que resolver o problema das populações indígenas, principalmente das populações que estão em lugares onde já não existe mais o espaço, como a cultura ser levada ao pé da letra. Quem disse que aumentar uma área, por exemplo, em Dourados vai resolver o problema dos índios?”

Acredita que temos que resolver como outros países já resolveram. Nós temos que dar condições de manter sua cultura, dar saúde, dar educação. Não existe uma política determinante no Brasil, e não pode ser uma política única porque as situações são diferentes, existem diversos “Brasis”. As tribos que já estão aculturadas, como você vai resolver da mesma maneira que tribos recentemente descobertas? Por exemplo, como resolver o problema de Santa Catarina? Como você vai tirar milhares de pequenos agricultores, gente que tem 10, 12 hectares? Vai desalojar e levar para onde?

Como ajustar a cultura indígena? Poucos são os que têm a cultura de produzir, e os poucos, como os Terena, eles produzem para subsistência. Quando você disponibiliza uma quantidade de terra maior do que eles têm capacidade de produzir, o que acontece é que os mal-intencionados arrendam estas terras.

A respeito da morosidade da máquina, a ministra Tereza Cristina entende que o governo é um elefante de difícil mobilidade. Caso ela precise de um estudo, o CNA pode lhe fornecer, afinal é uma entidade que se profissionalizou, tem gente muito capacitada e tem condições de, se necessário, contratar mais profissionais também muito capacitados para auxiliar o Ministério da Agricultura. “Eu sei que posso ajudar trazendo empresários, abrindo portas.”

Em relação à política e aos políticos, ela diz crer que a população quer mudança. Ela quer ver se as coisas mudam, e eu acho que o Brasil estava precisando disso. Houve uma renovação no Congresso, nasceram novas lideranças, com pessoas novas. A maior prova é a eleição de Jair Bolsonaro, uma renovação, novos ares, nossas perspectivas.

(entrevista concedida – ainda como deputada federal – ao jornalista Dirceu Martins e editada para essa edição)

Perfil

Luiz Henrique Mandetta

É primo do senador eleito Nelson Trad Filho, do deputado federal eleito Fábio Trad, do prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad e do ex-deputado estadual Paulo Siufi Neto.

Médico formado pela Universidade Gama Filho (UGF), com especialização em Ortopedia pelo serviço de Ortopedia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul UFMS, e sub especialização em Ortopedia Infantil pelo Scottish Rite Hospital for Children em Atlanta. Foi médico militar, no posto de tenente, no Hospital Central do Exército (HCE).

Foi secretário de Saúde do Município de Campo Grande (2005-2010), durante a gestão de seu primo Nelsinho Trad, à época do PMDB, antes de ser eleito deputado federal em 2010 e reeleito em 2014, pelo DEM.

Mandetta é investigado por fraude em licitação, tráfico de influência e caixa dois na implementação de um sistema de prontuário eletrônico enquanto era secretário de Saúde da capital sul-mato-grossense no governo de Nelson Trad Filho (PTB). Nelson Trad Filho e Paulo Siufi são investigados.

Bolsonaro afirmou que a denúncia não seria motivo para impedir a sua nomeação, que Mandetta não é réu e que só uma acusação ‘robusta’ o tiraria do ministério.  Sobre a acusação de irregularidades durante sua gestão à frente da Secretaria de Saúde de Campo Grande, o deputado afirmou uma semana antes da confirmação para o cargo, que havia conversado com Bolsonaro sobre os detalhes do caso. Segundo ele, o presidente eleito afirmou que a denúncia apenas não seria motivo para impedir a sua nomeação.

O caso estava no Supremo Tribunal Federal (STF), mas foi remetido à Justiça Federal do estado depois da decisão da Corte que restringiu o foro privilegiado a parlamentares a crimes cometidos durante e em função dos mandatos de deputados e senadores. Agora, com a indicação para ministro, ganha foro privilegiado.

À frente da Saúde, Mandetta terá à disposição 128,19 bilhões de reais, o segundo maior orçamento da administração federal, atrás apenas do Ministério do Desenvolvimento Social (745 bilhões de reais), que cuida da Previdência.

Um dos poucos ministros que não apresentou, até o presente momento, projetos para sua pasta, portanto uma incógnita de como desenvolverá a “cura” da Saúde Pública caótica no país.

(Fonte: Wikipédia e outros)

O que temos?

Tereza Cristina vem sendo criticada pela defesa do uso de agrotóxicos, nominada “Musa do Veneno”, ou acusada de receber doações de executivos ligados aos agrotóxicos na sua campanha de reeleição. Comanda a FPA, a bancada ruralista que representa 44% dos deputados e 33% dos senadores, o que indica que terá relevância no trato com o Congresso. Uma vez que o Brasil e Mato Grosso do Sul tem sua economia alicerçada na produção rural, a sua gestão frente ao Ministério deve ser de grande impulsionamento, e Mato Grosso do Sul deve ser valer desse incentivo.

Luiz Henrique Mandetta vai gerir de forma burocrática. Apenas uma necessária negociação com o DEM, que possui bancada expressiva e costuma votar uníssono em apoio ao governo, qualquer que seja. Sequer a bancada acredite que ele permaneça após a primeira reestruturação ministerial, comum aos governos republicanos. É esperar para ver.

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