Reprovação e abandono: os jovens não estão completando a Educação Básica

Daniel vai completar 21 anos de idade no próximo ano e deveria fazer, pela segunda vez, o segundo ano do Ensino Médio, o ‘deveria’ é porque ele não vai mais estudar por decisão própria. Desistiu, após três reprovações escolares no intervalo de cinco anos. As repetências do nosso personagem central se devem a uma série de fatores, que vai desde a necessidade de trabalhar para ajudar no sustento da família até a dificuldade no aprendizado básico, aquele que deveria ter recebido ainda nos tempos do Ensino Fundamental.

Big Ben 1

A realidade de Daniel não é diferente de outros tantos estudantes deste país, aliás, a combinação da reprovação com o abandono é o principal fator para o baixo índice de conclusão da educação básica na idade certa. A informação é apontada pelo movimento ‘Todos Pela Educação’, que em um relatório, realizado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio de 2012 a 2018 (Pnad-C) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que a partir do 3º ano do Ensino Fundamental, no final do ciclo de alfabetização, a taxa de insucesso escolar começa a se intensificar.

Dados do estudo apontam que, em 2017, 10,5% dos alunos não passaram para o 4º ano do Ensino Fundamental. No 6º ano do Ensino Fundamental, esse índice salta para 15,5%. Já no 1º ano do Ensino Médio, de cada 100 alunos, 23 foram reprovados, segundo o estudo.

Conforme o levantamento, 55% dos estudantes de 8 anos que estão no 3º ano do Ensino Fundamental das escolas públicas tinham conhecimento insuficiente em matemática e leitura, com dificuldades em reconhecer figuras geométricas, valor monetário de uma cédula e contar objetos, por exemplo, além de não conseguirem ler palavras com mais de uma sílaba e identificar o assunto de um texto, mesmo estando no título. No Ensino Médio, sete em cada 10 alunos do 3º Ano não tinham níveis suficientes de compreensão e leitura em português e matemática.

O movimento defende a adoção de uma estratégia nacional e uma atuação integrada da União, dos Estados e dos Municípios, na educação básica – que inclui Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. “Os indicadores demonstram que os desafios para nossos jovens concluírem a educação básica na idade certa são complexos e exigem atuação sistêmica, ou seja, com políticas públicas em várias frentes ao mesmo tempo e de forma integrada. Temos diagnósticos, temos evidências sobre quais os melhores caminhos, temos redes que estão avançando. Está na hora de priorizar as medidas que realmente podem fazer o país avançar na qualidade da educação básica”, afirmou Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação, em entrevista à Agência Brasil publicada na quarta-feira (18).

Ainda conforme o estudo, dos 3,2 milhões de brasileiros com 19 anos, 2 milhões concluíram o Ensino Médio, o que representa 63,5% do total. Dentre aqueles que não concluíram o Ensino Médio, 62% não estão mais na escola e, desses jovens, 55% pararam de estudar ainda no Ensino Fundamental. Uma das metas do movimento é fazer com que o Brasil tenha, até 2022, 90% ou mais dos jovens de 19 anos com o Ensino Médio completo e, pelo menos, 95% dos brasileiros de 16 anos com o Ensino Fundamental.

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