Será que ao recarregar o cartão do transporte coletivo ganharemos um nariz de palhaço?

Há 15 dias passou a vigorar o novo valor da tarifa do transporte coletivo: R$ 3,95. Vou lançar um novo serviço com valores inferiores, o “jegubber”, quem sabe a R$ 3,00, afinal contando com a carroça com bancos acolchoados, ventilação natural e entrega de guarda-chuvas para dias mais complicados chegue a ficar mais confortável do que nossos atuais “ônibus”.

Fernando Potrich

Resiste a discussão entre a prefeitura e o Consórcio Guaicurus, responsável por administrar o serviço em Campo Grande, neste ano. Pedido de reequilíbrio econômico-financeiro solicitado pela empresa, que vai apresentar nesta semana proposta de restruturação do serviço’, que deve incluir pedido de reajuste de tarifa. O município garante que outra reajuste este ano está fora de cogitação; faltam apenas 13 dias para o final de 2018.

Por contrato, a justificativa é de ‘aumento de custos’ ou ‘aquisição de bens e itens’. O consórcio recebe pouco mais de R$ 3,4 bilhões a partir de 2012 com validade de 20 anos. Sempre e toda vez reclamam de prejuízos na prestação de serviço. Eu mesmo já me propus a arcar com esses prejuízos, mas ninguém quis me repassar esse montante de prejuízo.

A desculpa, dessa vez, é a diminuição da demanda. A concorrência com Ubber, Urban, Pop está terrível. Como esses carros confortáveis, com ar condicionado, bom atendimento, balinhas e biscoitos, que vêm nos buscar na porta de casa e nos deixam no endereço exato podem agredir essa máfia do transporte coletivo por um preço pouco acima daqueles ônibus maravilhosos que nos “carregam” nos terminais bem conservados, quando não fazem transbordo no meio do percurso por estarem quebrados?

E os cobradores? E a diminuição no valor da tarifa?

Cansamos de cobrar explicações. Durante muitos anos as greves de motoristas e cobradores por reajuste de salário era o motivo para que os administradores privados de transporte acuassem e chantageassem os administradores de que necessitavam de reajuste dos valores da tarifa para cobrir a folha de pagamento e seus encargos. Pois bem, foram-se os cobradores – pelos menos 35% da folha de pagamento –, e a tarifa não abaixou. Ninguém explicou.

Depois foi o preço do diesel, pneus, a rebinboca da parafuseta para justificar os aumentos. Agora é a concorrência e a queda do número de passageiros. Queda do número de passageiros quando sai bem mais econômico financiar uma moto, utilizar os transportes alternativos? Queriam o que? E por que queda no número de passageiros se os transportes estão sempre superlotados nos horários de pico? Falta de veículos suficientes, apenas isso.

Se alguém se propor a lançar o “jegubber”, um bom serviço de carroças puxadas por jegues, ainda assim será mais confortável do que o serviço oferecido pelos Consórcios e bancados pelo Poder Público. Ah, e sem necessitar daqueles camelódromos fétidos e malcuidados dos terminais de transbordo.

Será que ao recarregar o cartão do transporte coletivo ganharemos um nariz de palhaço?

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