‘Noite Feliz’, a mais clássica canção de Natal completa 200 anos

Uma das canções mais clássicas do período natalino está completando 200 anos de composição e melodia. ‘Stille Nacht, heilige Nacht’, conhecida no Brasil e em países de língua portuguesa como ‘Noite Feliz’, surgiu da fusão do poema escrito pelo padre austríaco Joseph Mohr (foto de capa) e da música composta pelo organista Franz Xaver Gruber, que apresentaram a canção pela primeira vez na noite do dia 24 de dezembro de 1818, durante o serviço da igreja de São Nicolau, em Oberndorf bei Salzburg, na Áustria.

Fernando Potrich

O poema original foi escrito pelo padre dois anos antes. Mohr nasceu em 1792, em Salzburgo (Áustria), onde estudou e foi ordenado padre. Em 1815, o religioso tornou-se curador na pequena municipalidade de Mariapfarr. No ano seguinte, escreveu o poema e, em 1817, foi transferido para Oberndorf bei Salzburg, onde conheceu Gruber, por sua vez nascido em Hochburg em 1787 e que tocava órgão na igreja.

No dia do Natal, o padre pediu ao amigo que desse a melodia ao seu poema, o resultado foi á canção que o mundo todo conhece. ‘Noite Feliz’ tem mais de 300 traduções e adaptações na sua letra, é considerada essencial em qualquer repertório musical de Natal, inclusive, está na lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

organista
O organista Franz Xaver Gruber compôs a melodia da música — Foto: Stille Nacht – SalzburgerLand Tourismus GmbH

A divulgação da canção começou na região de sua origem até chegar ao construtor de órgãos musical, Carl Mauracher, que a levou para Zillertal, um vale em Tirol, ainda na Áustria, onde era cantada por corais católicos e protestantes. Em seguida, a música foi levada para a Alemanha, ganhando toda a Europa e os Estados Unidos. A estimativa é que 2 bilhões de pessoas em todo o mundo conheçam a letra.

Porém, a tradução da música para outros idiomas exigiu transformações na original. No caso do português, além do título da música, que na tradução literal seria algo como ‘Noite Silenciosa’, também foi acrescentado um verso inexistente, que está bem no começo, onde diz: “Pobrezinho nasceu em Belém”. A música também aparece em inúmeros filmes (295 filmes até 2015, segundo a revista Forbes) e já foi interpretada por cantores como Sinead O’Connor, Elvis Presley, Etta James e Kelly Clarkson.

A música original buscava amenizar a sociedade austríaca diante de um dos períodos mais conturbados de sua história. Na época, Salzburgo era um principado eclesiástico independente e sofreu diversas ocupações nas Guerras Napoleônicas. Os conflitos trouxeram caos e fome, até a região perder a sua independência e ser incorporada à Áustria. E talvez por isso, de ser uma música religiosa e, ao mesmo tempo, um pedido de paz, ela permaneça sendo cantada ano após ano em um mundo que parece jamais encontrar a paz.

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