Escolas fechadas. Parabéns, governador Azambuja, a ignorância é seu apelo de voto

Ôôô, boi, o povo foge da ignorância, apesar de viver tão perto dela…

Essa música “Admirável Mundo Novo” de Zé Ramalho deveria ser a canção de ninar de pessoas públicas, mas está tão longe de Reinaldo Azambuja.

O governador, por intermédio da Secretaria de Educação de Mato Grosso do Sul anunciou que quatro escolas serão fechadas. Zamenhof, criada pela Fraternidade Espírita Educacional de Mato Grosso e que tem 69 anos de existência, Riachuelo, Dona Consuelo Muller e Henrique Cirilo.

Pais estão revoltados, educadores também, alunos idem, mas a secretária de educação entende viável o fechamento de escolas ainda que esteja em um país onde o analfabetismo beira o inimaginável.

É bom lembrar que os países desenvolvidos, ou a caminho do desenvolvimento, investiram em educação. Dois exemplos, Coréia do Sul e Japão. Não esquecer que o Velho Centro-Oeste ainda é menos desenvolvido do que as regiões Sul, Sudeste, que investem em educação. Aqui a lógica é inversa. Ainda que tenhamos um grau de desenvolvimento abaixo dos índices indicados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a secretária, com o aval do governador Reinaldo Azambuja “Ôôô, boi” decreta que escolas serão fechadas por economia nos gastos públicos. Educação para eles deixou de ser investimento.

Pais, alunos, professores e administrativos da educação se posicionam contra. Muitos estudantes serão redirecionados, vários profissionais perderão o emprego, os sul-mato-grossenses perderão oportunidades e conhecimento.

A assessoria do Governo divulgou nota sobre a Zamenhof: “Informamos que a Secretaria de Estado de Educação (SED) optou pelo encerramento das atividades da unidade, em decorrência da presença de outras escolas da Rede Estadual de Ensino (REE) em localidades próximas, tais como EE Maria Constança Barros Machado e EE General Malan, entre outras aptas a absorverem a demanda. A medida se deu em função do número de estudantes atendidos pela EE Zamenhof, considerado baixo para a estrutura da unidade. A decisão resultará, ainda, na economia dos recursos destinados ao aluguel e manutenção do local”, diz em nota.

Por que não cortar tantas secretarias inoperantes? Por que não demitir, a bem dos cofres públicos, tantos servidores contratados apenas pelo fato de perderem eleições?

Qual, afinal é o direcionamento da gestão Reinaldo Azambuja, apenas pão e circo? Ou asfalto, criação de impostos para possibilitar esse suposto desenvolvimento? Educação, quando livros não são comprados acima e além da capacidade de atendimento dos alunos, com gráficas amigas, não dá lucro que possibilita benefícios nas campanhas via Caixa Dois; mas estradas, pontes, hospitais sem profissionais, isso dá lucro. Retire-se 0,5 cm de camada de asfalto em estradas e vias, ou de camada de aterro, sub-base e base e isso significa um ganho enorme que não é acompanhada nos projetos – lembrem-se da Agesul e de todos os envolvidos, e sob investigação. Mas desviar da Educação não dá lucro, e é muito mais visível pois não é enterrada.

Para lembrar o conhecido e ainda vivo Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País) do imortal jornalista Sérgio Porto (codinome Stanislaw Ponte Preta), a secretária Maria Cecília Amêndola declara que “O fenômeno é explicado pelos dados estatísticos com base nos números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que aponta a diminuição do nascimento de crianças, além da migração para as redes municipal ou particular”.

Segundo indica o próprio IBGE, o processo está na contramão. Alunos das escolas particulares migram para escolas públicas em função do quadro econômico brasileiro e, ademais, as escolas estavam com superlotação, o que prejudica o aprendizado.

Governador, não tem uma vaguinha para ela numa mesa de canto de qualquer secretaria, um cabide de emprego onde ela possa ter suas ideias tortas sem poder opinar?

Se o seu apelo é a ignorância para a conquista de votos, seu trabalho está sendo muito bem feito.

Tem guarida da lei a determinação da secretária, no entanto é bom lembrar que a educação pública, até aproximadamente a década de 1973, era de excelência, ainda que houvesse muita demanda para pouco espaço de educação. Questões sociais sempre existiram, mas a democracia a partir da Constituição de 1988 deveria, ou pretendia, reverter essa situação.

Se os atuais educadores têm dificuldade em angariar alunos e evitar evasão escolar, que o corpo de secretários que constituem um governo, seja da assistência social, seja do que for. Se organizações privadas conseguem, sem o montante de verbas que o governo possui, por que não o seu governo, Reinaldo Azambuja?

Colocar 45 alunos por sala de aula é o normal, é o legal. Colocar o professor obrigado a cumprir três jornadas com essa lotação em sala, normal para o governo, mas quando são 25 alunos por sala, encerre-se a atividade daquela escola. São problemas sociais que promovem a evasão escolar, sim, mas problemas sociais são por obrigação do governo resolver.

 

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