Trajetória de sucessos faz de Ueze Zahran o melhor empresário da história de MS

Foi o ‘encantamento’ da mãe, Leila Zahran, ao ganhar um fogão a gás de presente, que fez Ueze Elias Zahran iniciar sua trajetória de sucesso empresarial e, consequentemente, deixar o nome na história de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Filho de imigrantes libaneses, a família veio para o Brasil no início do século XX em busca de novas oportunidades e as primeiras coisas que conseguiram nesta Cidade Morena foi um bar e uma padaria, que depois virou torrefadora de café.

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Ueze era o segundo filho mais velho de um total de seis irmãos: Eduardo, Ueze, Jorge, João, Nagib e a única irmã, Jeannette. Ao atingir a maior idade, ajudando o pai Elias Zahran na padoca, perdeu um dedo no maquinário e passou a revender farinha que ele mesmo buscava em São Paulo (SP). Aos 21 anos, já à frente dos negócios da família, passou a exportar café para a Argentina. O negócio prosseguiu até metade dos anos 50, nesse meio tempo, casou-se com Lucila Zahran, com quem teve quatro filhos: Márcia, Ana Karla, Simone e Carlos.

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Sentados, dona Laila e seu Elias, e em pé, ao fundo, da esquerda para a direita, Eduardo, Ueze, Nagib, Jorge e Jeannette e, entre o casal, João — Foto: Arquivo

Entretanto, como dizem os mais sábios, a vida é um ciclo e as oportunidades surgem para usufruto daqueles que sabem aproveitá-la. Ueze Zahran foi surpreendido com o rompimento das relações comerciais do Governo Brasileiro e da Argentina e se viu obrigado a recomeçar em outro setor. Após a sua mãe ver em SP os fogões a gás, grande novidade dos anos 50, Ueze apostou no comércio de gás. “Ela (a mãe, Laila Zahran) riu quando viu aquela chama azul embaixo da panela. Imaginei tantas mães felizes vendo aquela chama azul embaixo da panela”, contou Ueze em uma entrevista a TV Centro-América.

Sempre de visão futurista, Ueze Zahran enxergou no ramo de gás um mercado promissor. Dois anos depois da criação da Petrobras, quando surgiam as primeiras refinarias de petróleo no país, o processo de distribuição de GLP aumentava com o crescimento do mercado de fogão a gás e, em 1955, ele criou a Copagaz, que primeiramente se chamava Companhia Paulista de Gás – Copagaz, e depois virou a Copagaz Distribuidora de Gás Ltda. Atualmente, a empresa é a 5º maior distribuidora de GLP do país e eleita uma das melhores empresas para se trabalhar.

Na década seguinte, a família Zahran entrou no ramo da comunicação. Em 1965, o país tinha apenas 26 emissoras de televisão e Ueze entrou na concorrência para a concessão de canais de televisão e ganhou o direito para montar três emissoras geradoras, sendo elas em Campo Grande, Cuiabá (MT) e Corumbá. No natal daquele ano foi inaugurada a TV Morena, a 1° emissora do antigo sul de Mato Grosso. Dois anos depois veio a TV Centro América, em Cuiabá. Juntas, as emissoras formaram a Rede Matogrossense de Televisão, hoje Rede Mato Grossense de Comunicação.

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TV Morena, 1° emissora do antigo Mato Grosso (hoje MS), fundada por Ueze Zahran. — Foto: TV Morena/Reprodução

No começo, a programação era gerada por outras emissoras de TV, como a extinta TV Tupi, até que em janeiro de 1976 se tornou afiliada da Rede Globo de Televisão. Hoje, a Rede Mato-grossense conta com sete emissoras de TV, rádios e sites e é considerada uma das maiores empresas do setor do país.

E não parou por ai, Ueze Zahran sempre teve uma visão para os negócios e investiu em vários outros setores, como agropecuária, alimentação, comércio, educação e até mesmo no esporte, patrocinando equipes de futebol locais, como o Comercial, e a equipe feminina do Santos (SP), que tinha nomes como o da jogadora Marta, considerada a melhor jogadora de futebol feminino de todos os tempos.

Entre outros projetos que levam a sua assinatura está a Fundação Ueze Zahran, fundada em 1999 e que provê, entre outras ações sociais, educação para adultos, curso de computação para idosos e promoção cultural para jovens e crianças. Também participou, através da Copagaz, da campanha ‘SOS Criança Desaparecida’, iniciativa do Governo de SP que trazia nos vasilhames de gás um panfleto com imagens de crianças desaparecidas.

O visionário também criou um programa de bolsas de estudos e abriu a possibilidade de uma grande transformação na vida de muitos trabalhadores das empresas do próprio Grupo Zahran, com cursos de língua estrangeira, faculdade, pós-graduação, educação infantil para os filhos dos funcionários e alfabetização para quem não teve a chance de frequentar uma escola.

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Ueze Elias Zahran ao ser homenageado no projeto Trajetórias

A vida bem sucedida rendeu ao empresário diversos prêmios e homenagens, uma delas em 2015, da ONU (Organização das Nações Unidas), que lhe concedeu o título de Guardião dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O mais recente destes foi há dois anos, entregue pela Câmara Árabe no âmbito do projeto Trajetórias. A entidade produziu um pequeno livro com a história de Zahran, intitulado “Ueze Elias Zahran: o filho de libaneses que levou gás e TV para o interior do Brasil”.

Na tarde de quinta-feira (27), Ueze Zahran faleceu em São Paulo, onde estava internado. Ele tinha 94 anos. O corpo foi cremado na tarde desta sexta-feira (28). Ele deixa a esposa, dona Lucila Zahran, quatro filhos: Márcia, Ana Karla, Simone e Carlos Eduardo, os irmãos Jeannete e Nagib, além de netos, bisnetos e sobrinhos.

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