A história do político, do militar e do corrupto

Diz o dito popular que “um gambá cheira o outro”, ou seja, as pessoas se aproximam para convívio por afinidade de comportamento. Até agora havia políticos do legislativo conversando com políticos no executivo.

Markha Gás

Então, podemos, como se fossemos moscas que tudo escutam e tudo sabem, mas não falam, imaginar o seguinte diálogo dentro de algum gabinete ministerial:

Primeira Parte

Executivo – Precisamos que seu partido nos apoie nesse projeto.

Legislador – Teremos todo o prazer em analisar o projeto e, dentro do possível, votar favoravelmente.

Executivo – São milhões em investimentos necessários para destravar determinado setor.

Legislador – Entendo, e sei da importância desse projeto para o governo.

Executivo – Para a população.

Legislador – Também para a população, mas se levado adiante esse projeto irá projetar o atual governo.

Executivo – E todos aqueles que apoiarem o projeto.

Legislador – Mas os que não apoiarem, ou apoiarem, a população não irá recordar nas próximas eleições.

Executivo – Mas vocês poderão mencionar isso em seus discursos.

Legislador – Amigo, vossa senhoria estava na Casa até pouco tempo e sabe que podemos discursar sobre tudo o que fizemos ou deixamos de fazer, geralmente cola.

Executivo – Estamos falando em um projeto grande, que vai beneficiar todos nós, o governo e a base aliada.

Legislador – E de “quanto” estamos falando para o governo e para a base aliada, já que esse projeto envolve milhões de Reais e eu tenho um partido para tocar adiante?

Ponto. E a conversa se desenvolve de forma tão vulgar que não cabe dar prosseguimento.

Segunda Parte

Agora vamos dar asas à imaginação e supor que são políticos do legislativo conversando com ministros militares em cargos no executivo:

Legislador – Alô! É do gabinete do ministro tal?

Secretária do Executivo – Sim. O que deseja?

Legislador – Aqui quem fala é o “Dr.” Fulano. Gostaria de marcar uma audiência para discutir esse projeto que foi encaminhado para a Casa.

Secretária do Executivo – Um momento. … / … Pois não, podemos marcar para tal dia, tal hora.

Em tal dia e tal hora…

Executivo – Precisamos do apoio dos partidos nesse projeto.

Legislador – Teremos todo o prazer em analisar o projeto e, dentro do possível, votar favoravelmente.

Executivo – São investimentos necessários para destravar determinado setor.

Legislador – Entendo, e sei da importância desse projeto para o governo.

Executivo – Para a população.

Legislador – Também para a população, mas se levado adiante esse projeto irá projetar o atual governo.

Executivo – E todos aqueles que trabalharem para que o projeto seja realizado com sucesso.

Legislador – Vossa senhoria não conhece os trâmites da Casa. Existem acertos que necessitam ser acordados.

Executivo – Estamos falando em um projeto que vai beneficiar toda a população.

Legislador – E de “quanto” estamos falando para o governo e para a base aliada, já que esse projeto envolve milhões de Reais e eu tenho um partido para tocar adiante?

Executivo – (abrindo a gaveta e retirando uma volumosa pasta) Eu não tenho os valores em mãos, ainda é um projeto que virá a ser licitado. Mas tenho todo o histórico seu e de seu partido aqui em mãos. Vamos conversar a partir daqui?

Ponto. E a conversa se desenvolve, entre um legislador corado de vergonha e um Executivo, de tal forma que não cabe dar prosseguimento.

Em 1964 a esquerda se debilitou tanto que possibilitou um golpe de estado articulado pelas forças políticas retrógradas e desencadeado pelos militares. Hoje, a esquerda e a direita se debilitaram tanto que os militares se tornaram os mais ferrenhos democratas e os mais bem preparados executivos. Outra vez a esquerda preferiu seu próprio umbigo e se deixou levar pelo outro gambá.

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