Tragédia de Brumadinho é o retrato cômico de um país que não aprende com suas próprias lições

“A história se repete, a primeira vez como tragédia, e a segunda como farsa.”, a frase escrita por Karl Max em 1852 traduz bem o que estamos acompanhando em Brumadinho (MG). A tragédia de Mariana, ocorrida em 05 de novembro de 2015, assustou um país não acostumado com este tipo de ocorrência. Pensou-se (governantes e empresários), na época, que era um fato isolado sem chances de acontecer novamente. Agora, o filme ganha a continuação; é a farsa, sim, porque é cômico concluir que nada foi feito nesses três anos e dois meses para evitar tal repetição.

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Na tragédia original, de Mariana, o resultado do despreparo foi à morte de 19 pessoas, além dos assassinatos do Rio Doce e do distrito de Bento Rodriguez (Mariana), mudando a vida de inúmeras famílias que perderam tudo por conta da enxurrada de lama (40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro). Nesta repetição da história, agora em Brumadinho, até a manhã deste sábado (26) sete corpos foram encontrados e cerca de 400 estão desaparecidos (Confira a lista dos nomes aqui), fora o impacto ambiental que ainda está sendo calculado.

No caso de 2015, nesses três anos pouquíssimas coisas foram realizadas pelas mineradoras responsáveis pelo acidente. As ações judiciais das famílias afetadas ainda percorrem os corredores da Justiça, a construção do novo distrito caminha em ritmo bem lento (quase parado), ninguém foi preso, mas talvez o mais preocupante deste cenário todo seja o fato de que, apesar de tudo o que aconteceu, a tragédia em nada afetou a rotina das outras mineradoras instaladas em vários cantos do país. O projeto de lei, por exemplo, que endurece as regras para as barragens está parado há mais de um ano no Congresso Nacional.

“O Brasil não aprende com as lições de história”, comentou o promotor Guilherme de Sá Meneghin, responsável pelo caso de Mariana, em uma entrevista ao jornal Correio Braziliense, publicada neste sábado (26). As informações são de que o sistema usado pela Vale, empresa brasileira privatizada, para conter os dejetos em Brumadinho era o mais comum e também o mais barato. Quase todas as barragens da Vale no Córrego do Feijão eram consideradas de baixo risco, mas de dano potencial alto.

A Vale, que já respondia pelos danos em Mariana, amanheceu hoje com R$ 1 bilhão de suas contas bloqueadas pela Justiça. As ações da companhia despencaram nas últimas horas, algo já esperado diante da nova crise. A empresa também deve apresentar, em até 48 horas, um relatório sobre as ações de amparo às vítimas, adote medidas para evitar a contaminação de nascentes hidrográficas, faça um planejamento de recomposição da área afetada e elabore, de imediato, um plano de controle contra a proliferação de pragas e vetores de doenças diversas.

A expectativa dos brasileiros é que, com mais um caso em tão curto espaço de tempo, algo de útil seja providenciado para melhorar a segurança daqueles que estão em volta das barragens das mineradoras e, assim, não aconteça um terceiro episódio desta triste série.

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