Falta de pagamento e de condições de trabalho matam pacientes e profissionais

Nem com a melhor estrutura a Saúde funciona sem o fator humano. Enfermeiros e técnicos da Santa Casa fazem manifestação para receber 13º. Hospital acordou em fazer o pagamento em três parcelas, mas funcionários querem recebimento integral.

Beer 67 4

Enfermeiros e técnicos da Santa Casa farão manifestação defronte ao hospital cobrando pagamento do 13º salário atrasado desde novembro de 2018.

A administração da Sociedade Beneficente reuniu-se com funcionários, buscou acordar o pagamento em três parcelas, mas os servidores querem que o valor devido seja efetuado em única parcela.

De acordo com o sindicato dos enfermeiros, a categoria e os técnicos de radiologia e do setor administrativo do hospital receberam parcialmente o 13º e tiveram a proposta do pagamento parcelado em três vezes. “Essa situação é decorrente dos constantes atrasos dos repasses municipal e estadual”, informa o sindicato.

Morte assistida, falta de condições de atendimento e Estresse

Talvez um dia a justiça contemple a “morte assistida involuntária”, ação corriqueira em nossa Saúde Pública. Seguiria a lógica: “Se não forneço medicamentos, materiais básicos para o bom desempenho do trabalho do profissional e instalações adequadas, estou abreviando a dor, o sofrimento e, principalmente, dinheiro público para o tratamento”.

Não é, e sequer a Constituição brasileira permite, a Eutanásia (ato de proporcionar morte sem sofrimento a um doente atingido por afecção incurável que produz dores intoleráveis). Conforme artigo de Denis Russo Burgierman, em Super Interessante, “É como um general falando da guerra. Para nós, soldados, que sujamos as botas na lama todo dia é muito difícil pensar nisso (a morte). Às vezes um familiar me diz que não sabe se reza para o doente viver ou morrer. Eu digo: ‘Acenda duas velas. Reze para que aconteça o melhor para ele.’ Não dá para decidir.”

Os governos, federal, estadual e municipal tratam a saúde pública como mera questão administrativa, baseada em dados, cada qual culpando a administração anterior pelas mazelas, sem a menor preocupação em proporcionar qualidade de vida à população. Enquanto as empresas e autarquias possuem maravilhosos complexos de trabalho, com excelente arquitetura e materiais de excelente qualidade, as Unidades de Saúde estão sucateadas.

Prédios com infiltrações, bolor, mofo, ratos, baratas, formigas. Pisos e paredes que são depósitos de bactérias, portas quebradas, macas improvisadas, falta de leito… e poderíamos nos estender por diversos aspectos.

Os profissionais são brindados em seus cursos a lutarem pela vida e lhes ensinam, por teoria, todas as normas e procedimentos para manter a dignidade de vida dos pacientes. Felizes os que conseguem dar prosseguimento na rede particular de saúde – em sua maioria, bem estruturada, mas… e esse “mas” é aquele que o Brasil tem que lançar pela janela… a maior parte da mão de obra dos profissionais que se formam são absorvidos pela rede pública de saúde.

Joguem seus livros no lixo e encarem uma realidade de exercer a profissão, buscando de todas as formas dar conforto e saúde aos seus pacientes, sem materiais básicos de trabalho, tempo hábil para os atendimentos, exames em tempo coerente com a necessidade da cura, falta de medicamentos, tudo enfim. Passam a ser testemunhas de uma “morte assistida”.

Como suportar o sonho, acalentado desde a infância, de ser um agente da cura? Como conviver com teorias maravilhosas face a uma realidade cruel? Como trabalhar tendo seus conhecimentos e capacidades tolhidos ou amputados? Como suportar dia a dia a carga horária sobre-humana e, ainda assim, com todos esses fatores, ser mal remunerado, ou não remunerado nas datas previstas que lhes impede a alimentação, aluguel, lazer e, principalmente, Dignidade?

Existem duas saídas lógicas: abstrair-se dos males alheios ou encurralar-se numa espiral de loucura e depressão, um estresse intenso e imenso que lhes encaminha para o suicídio. Saber que apesar da imensa verba destinada para a saúde – se bem que a cada governo, a cada decreto, a cada lei aprovada, menos se tem em verba para essas vidas – grande parte é desviada na corrupção que, na verdade, mata mais o país e sua população do que todas as doenças somadas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s