Combate à Dengue, faz que me engana, e eu finjo que acredito

Durante um bom período de tempo a inspeção dos locais de proliferação do mosquito Aedes Aegypti, transmissor de diversas endemias ficou relegada ao esquecimento. É fato, a verificação tem que ser constante, inclusive e principalmente no período de estiagem. Por que? É nessa época que se controla os locais que, na época de chuvas, irão proliferar os mosquitos.

Foi feito? Não. Dai que os agentes de saúde têm que correr atrás. Choveu, as larvas nascem e se criam em velocidade maior do que as inspeções possam ocorrer. Agora não foi diferente e a população está exposta. Basta verificar, também o número de vítimas, algumas fatais, de Leishmaniose – outro mosquito, outra omissão da saúde preventiva.

Faz que me engana

Essas “inspeções” em terrenos baldios são efetivas? Parece que não.

Vejam as fotos da inspeção feita no Bairro Alves Pereira, durante a última semana de janeiro, mais especificamente no cruzamento das ruas Emigídio Widal com Francisco Aguiar Pimenta. Uma série de agentes inspecionou o local, e mesmo com botas, não se propuseram a entrar no local. Nossa reportagem, ainda que de chinelos, conseguiu entrar sem grandes dificuldades e constatar que diversos objetos serão potenciais proliferadores de mosquitos.

Eu faço que acredito

A inspeção está sendo, e deve ser, rigorosa nas residências, afinal são o maior foco de proliferação do mosquito, mas as áreas “abertas”, terrenos isolados não deveriam ter o mesmo cuidado? Parece que não.

Pra inglês ver

Equipes de limpeza cuidando de gramados nas principais vias, grupos de agentes de saúde percorrendo ruas dos mais variados bairros, tudo é muito bonito e geram fotografias que fazem crer que a Capital caminha bem, mas diferente do que havia quando tínhamos uma secretaria de saúde realmente responsável.

Em épocas sombrias quando, principalmente, a Dengue era epidêmica, houve um trabalho efetivo que reduziu o nível de doenças, não apenas essa mas, também, a chikungunya e o zika vírus, graças à dedicação de toda a equipe (hoje desmontada) e do secretário de saúde que não se rejeitava a acompanhar e cobrar trabalho das equipes. Aonde anda o atual secretário? Talvez em seu consultório, nos hospitais onde presta serviços, ou preparando e ministrando aulas, mas raramente em seu gabinete, ou acompanhando o andamento de equipes de saúde ou nas unidades de saúde ou de pronto atendimento, verificando “in loco” a qualidade do atendimento.

Fica fácil monitorar os horários de chegada e saída dos profissionais de saúde por meio eletrônico, mas esse mesmo controle é efetivo em seu gabinete? Será que ele cumpre a jornada? Será que ele vê a dificuldade de trabalho desses profissionais sem materiais e medicamentos? Será que ele realmente conhece seu território?

Basta visitar, principalmente, as Unidades de Pronto Atendimento, e verificar a real situação de profissionais da saúde e dos pacientes, mas talvez não lhe sobre tempo, como não sobra para cumprir, em seu gabinete, a jornada e horários rígidos que ele exige de seus subordinados.

Não houvesse destruído todos os projetos de saúde anteriormente implantados, e depois de pouco mais de um ano reimplantado de forma tosca, alterando os nomes para apresentar como projeto seu e de seu prefeito, na saúde pública haveria um crescimento de qualidade. O que se viu e vê é apenas um retrocesso.

O combate ao mosquito Aedes Aegypti é apenas um “me engana que eu gosto”, a ponta do iceberg de uma saúde deteriorada.

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