Estranho e triste saber que grande parte das operações da PF envolvem políticos

Viva! Saímos de um período em que nada era investigado, não devia, não podia, pois iria denegrir a imagem de uma Ditadura institucionalizada que não permitia erros, ainda que houvessem, e acobertava suas podridões, sem no entanto disfarçar seu cheiro.

Viva! Saímos de um período em que havia um compadrio tão grande, entre tantos envolvidos, que nada era investigado e, caso fosse, caiam na malha de um STF omisso.

Viva! Apesar da desinformação institucional, apesar da esperança na Democracia após uma Constituinte que cegou a população no afã de poder o povo tomar o poder que lhe é de direito, elegendo seus melhores representantes e sendo representado por ele, as coisas lentamente mudam.

Viva! Entre trancos e barrancos progredimos a ponto de a Polícia Federal desenvolver investigações utilizando o supremo lema de que “todos somos iguais perante a lei”.

Arre! Basta agora que os Tribunais, todos eles, ajam de acordo com o desejo do povo. Ainda há um enorme prego a segurar rabos. Visto assim, de longe, ou de baixo, conforme queiram definir nós, pobres mortais eleitores e que deveríamos ser, de fato, donos de nossa Nação, um emaranhado de polvos, tantos são os tentáculos.

Fulano protegia fulano, que protegia sicrano, que protegia beltrano, que protegia… Foi-se o tempo. Agora Fulano contrata um excelente escritório de advocacia, que indica outro escritório ao beltrano, que reparte a causa em defesa de sicrano e esses escritórios quase sempre contam com a participação de parentes afins, ou não, de ministros e juristas ligados à máquina governamental.

Quando explode a bomba da PF nos ninhos de conchavos, a correria que se sucede pode deixar pedaços de rabos decepados, sejam malas de dinheiro, sejam gravações “sigilosas” que terminam por serem divulgadas, sejam explicações sem nexo sobre contratos e licitações.

Rasgou-se a pesada cortina que a tudo encobria. Agora esses seres vêm à execração pública. Espera-se, nesse momento, explicações plausíveis. Apenas tudo entrava nessa sucessão de advogados, amigos e companheiros da Justiça, que, utilizando as brechas daqueles que serão julgados, criam no Legislativo. Então os senhores ministros, que hoje estão sob suspeição da população, utilizando desses sub-reptícios argumentos, os inocentam, ou determinam sentenças que nos faz rir.

Tornozeleiras com prisão domiciliar, ou seria mansãoliar. Aquele sofrimento de viver em espaços maravilhosos, usando do dinheiro desviado para sua supimpa alimentação, festas residenciais, direito a viagens desde que justificadas – e todas acabam por ser.

Viva! Estranho e triste saber que grande parte das operações da PF envolvem políticos.

Arre! Estranho e triste saber que apenas nós, a população desassistida pelo poder público, ainda não tem acesso a escritórios de advocacia que nos tornem livres e atendidos de crimes que sequer cometemos.

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