Operação Fantoche, da PF, atinge a Fiems e ‘respinga’ em Sérgio Longen

A Casa da Indústria, sede da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) em Campo Grande, foi alvo de um dos mandados de busca e apreensão da Operação Fantoche, desencadeada na manhã desta terça-feira (19) pela Polícia Federal em vários estados do país. A ação – que resultou na prisão temporária do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade – investiga um grupo de empresas controladas por uma mesma família que fraudava convênios do Ministério do Turismo com entidades do ‘Sistema S’ (Sesi, Senai, Sesc, Sebrae).

Em Campo Grande, única cidade de MS a ser alvo da operação nacional, dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos. O primeiro deles, conforme dito anteriormente, foi na Casa da Indústria, localizada na Avenida Afonso Pena, no bairro Amambaí. O segundo mandado foi cumprido em um apartamento do Edifício Manoel de Barros, situado na Rua Príncipe Ranier, entre a Via Parque e a antiga Rua Furnas, em frente ao Shopping Campo Grande. O prédio foi, durante muitos anos, o endereço fixo do atual presidente da Fiems, Sérgio Longen. Ele mudou de lá no ano de 2015.

De acordo com a PF, o grupo atua desde 2002 e pode ter movimentado mais de R$ 400 milhões por meio de contratos e convênios que entidades de direito privado, sem fins lucrativos, assinavam com o Ministério do Turismo e com unidades do ‘Sistema S’, controladas pelas federações estaduais de indústrias. A maior parte dos contratos previa a execução de eventos culturais e de publicidade. Superfaturados, não eram integralmente executados e os valores desviados eram destinados a empresas controlados por uma mesma família – cujo nome não foi informado.

Em nota, o Ministério do Turismo disse que já tinha determinado auditoria completa em todos os instrumentos de repasse antes mesmo de tomar conhecimento da investigação da PF. A análise resultou no cancelamento de um contrato no valor de R$ 1 milhão. “O Ministério do Turismo, que não é alvo das buscas e apreensões da Operação Fantoche, está totalmente à disposição para colaborar com a investigação”, assegura a pasta, ao destacar que nenhum novo convênio foi assinado este ano.

Os envolvidos estão sendo investigados por cometerem diversos crimes contra a administração pública, fraudes licitatórias, associação criminosa e lavagem de ativos. Ao todo, 213 policiais federais e oito auditores do TCU estão cumprindo 40 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão temporária nos estados de Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo, Paraíba, Distrito Federal, Alagoas e em Mato Grosso do Sul. Os mandados foram determinadas pela 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de Pernambuco, que ainda autorizou o sequestro e bloqueio de bens e valores dos investigados.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou, via nota, que tem conhecimento de que o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade, está na Polícia Federal, em Brasília. De acordo com a entidade ele está no local para prestar esclarecimentos. “A CNI não teve acesso à investigação e acredita que tudo será devidamente esclarecido. Como sempre fez, a entidade está à disposição para oferecer todas as informações que forem solicitadas pelas autoridades.”, diz o texto.

Engenheiro mecânico, Andrade presidiu a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) entre 2002 e 2010, quando assumiu seu primeiro mandato no comando da CNI, tendo sido reeleito em 2014 e em 2018.

A Fiems ainda não se pronunciou oficialmente sobre a operação.

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