Operação Fantoche: Sérgio Longen garante que não houve distorções em projetos da Fiems

Três presidentes de diferentes federações estaduais de indústrias, além do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), foram presos pela Polícia Federal nesta terça-feira (19), na Operação Fantoche. Esses empresários, além de outras 10 pessoas que não tiveram as identidades confirmadas, são suspeitos de integrar uma organização criminosa acusada de fraudar convênios do Ministério do Turismo com entidades do Sistema S (Sesi, Senai, Sesc, Sebrae).

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A ação da PF chegou a cumprir dois mandados Fotem Campo Grande, um deles na Casa da Indústria, na Avenida Afonso, onde funciona a sede da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), e também em um apartamento do Edifício Manoel de Barros, em frente ao Shopping Campo Grande que, por sua vez, até 2015 pertencia ao presidente da Fiems, empresário Sérgio Longen. Vários documentos foram apreendidos nesses endereços, entretanto, o conteúdo não foi revelado.

Em nota, a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul confirma que recebeu, pela manhã, equipes da Polícia Federal em busca de informações sobre projetos que foram executados de 2010 a 2013.  “Em Mato Grosso do Sul, os serviços se deram por meio de processo de licitação, modalidade concorrência, e foram devidamente executados com as respectivas prestações de contas aprovadas pelos órgãos de controle. O Sistema Fiems permanece à disposição das autoridades para qualquer tipo de esclarecimento.”, diz o texto.

Os policiais federais estiveram no setor de Controladoria da Fiems e buscaram por informações referentes à execução de 11 projetos realizados em Mato Grosso do Sul de 2010 a 2014. São eles: quatro projetos do ‘Cine Sesi’, que atendeu a 60 cidades e beneficiaram 198 mil pessoas; dois projetos ‘Na Ponta da Língua’, realizado em 46 cidades, beneficiando 37,400 pessoas na primeira etapa e, na segunda etapa, 37 cidades com 44 mil pessoas atendidas; o Fito (Festival Internacional de Teatro de Objetos), realizado duas vezes em Campo Grande, com público de 19,5 mil e 25 mil pessoas; ‘Fábrica Verde’, realizado em 20 cidades e que distribuiu 89 mil cartilhas sobre a fauna do Pantanal; ‘Em Nome das Cidades’, com 20 cidades atendidas; e ‘Arte do Canteiro’, com 33 canteiros de obras em nove cidades na primeira etapa, atendendo a 3,2 mil trabalhadores e, na segunda etapa, 11 canteiros em quatro cidades, atendendo a 1.280 trabalhadores.

Em coletiva de imprensa realizada na tarde, o presidente Sérgio Longen explicou que três empresas executaram esses projetos, sendo elas:  Instituto Origami, Instituto Mineiro de Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC) e do Instituto de Produção da Cultura Brasileira (IPCB). “Os recursos [usados para financiar os projetos] 100% advindos do Departamento Nacional, todos foram objetos de auditoria de órgãos de controle, como o CGU e TCU.”, destacou Longen.

O presidente também falou que não conhece a origem das empresas contratadas para executar os projetos investigados. “Eu não sei quem são. Elas ganharam a concorrência e executaram os projetos. Não sei dizer se é empresa familiar ou se é de Pernambuco, eu não sei dizer nada sobre isso.”, comentou na coletiva. Segundo Sérgio Longen, os policiais federais levaram documentos referentes a todos esses projetos e voltou a afirmar que desconhece qualquer distorção na execução dos mesmos. “[Foram todos] 100% licitados e executados na totalidade, pagos e aprovados pelo CGU e TCU. Não temos mais o que fazer porque já foram auditados pelos órgãos de controle. Da nossa parte tudo foi feito com lisura.”, afirmou o presidente.

Presos

Foram presos, em caráter temporário: os presidentes das federações das Indústrias de Alagoas (Fiea), José Carlos Lyra de Andrade; da Paraíba (Fiep), Francisco de Assis Benevides Gadelha; e Ricardo Essinger, de Pernambuco (Fiepe); o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, além de seis investigados cujos nomes ainda não foram confirmados.

Além dos 10 mandados de prisão temporária, foram cumpridos ainda 40 mandados de busca e apreensão, todos autorizados pela 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de Pernambuco, nos estados de Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo, da Paraíba, de Mato Grosso do Sul e Alagoas e no Distrito Federal.

Dos presos, Robson Andrade, Lyra de Andrade, Gadelha e Essinger foram detidos em Brasília (DF), onde participariam da reunião mensal da CNI.

De acordo com a PF, o grupo atua desde 2002 e pode já ter movimentado mais de R$ 400 milhões. O dinheiro era movimentado por meio de contratos e convênios que entidades de direito privado, sem fins lucrativos, assinavam com o Ministério do Turismo e com unidades do Sistema S. A maior parte dos contratos previa a execução de eventos culturais e de publicidade. Superfaturados, não eram integralmente executados e os valores desviados eram destinados a empresas controlados por uma mesma família – cujo nome não foi revelado.

Em nota, o Ministério do Turismo informou que já tinha determinado uma auditoria completa em todos os instrumentos de repasse antes mesmo de tomar conhecimento da investigação da PF. A auditagem resultou no cancelamento de um contrato no valor de R$ 1 milhão. “O Ministério do Turismo, que não é alvo das buscas e apreensões da Operação Fantoche, está totalmente à disposição para colaborar com a investigação”, diz a pasta, destacando não ter firmado nenhum novo convênio este ano. “Todos os convênios investigados pela Polícia Federal são das gestões dos presidentes petistas Lula e Dilma Rousseff”, diz o texto.

 

 

Foto de capa: Erick Marque/CBN

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