Salário decente: A questão não é a aposentadoria é a pobreza dos nossos ganhos

Nossa expectativa de vida agora ultrapassa os 70 anos, nossa qualidade de vida fica a desejar. Enquanto os apaniguados dos políticos ganham bem, se é que é bem (depois discutimos) e perdem tantas sessões das Câmaras e do Senado discutindo a Reforma da Previdência, ninguém se atina para os baixos salários com os quais somos obrigados a conviver (viver em proximidade), estar quase apto a viver, nada que indique dignidade.

Poucos são os representantes da nossa Democracia que, efetivamente, trabalharam na lide da dureza. Ver pela janela de sua fazenda, senhora ministra Tereza Cristina, os esfalfados, a secura de suas peles e a rigidez e seus músculos, não significa saúde. Então fica confortável atribuir uma sobrevida e determinar que os ’60 anos para aposentadoria de homens e mulheres do campo é ótimo’. Sinceramente. Passe apenas um dia ao lado de cá, não mais e sem o espanto do non sense.

“Hoje a expectativa de vida do brasileiro é de 75 anos. É preciso olhar todo o contexto da reforma, que precisa ser feita. Acho que até (a equipe econômica) foi condescendente com os trabalhadores rurais, que não precisarão chegar a 65 anos para homens e 62 para mulheres”, afirmou a ministra ao Broadcast. “Tenho 64 anos e ainda quero trabalhar bastante”, brincou. Isso não é brincadeira, é “Escárnio”, impróprio para uma conversa de bar, que dirá da boca de uma ministra.

Só que não quero me aposentar

Não quero labutar e lutar e me lanhar durante tantos anos para, quando me faltarem as forças, meu corpo estiver alquebrado, ou não, talvez saldável, aproveitar do que?

Parem de discutir a aposentadoria, aquele pequeno período de tempo entre a inanidade e a morte. Dos milhões de brasileiros que conseguem trabalhar tanto, de sol a sol – e não estou falando das profissões que permitem um bem estar – estes mesmos tantos milhões sequer têm condições para sustentar seus alimentos e medicamentos, quiçá poder usufruir de laser.

Não vamos discutir aposentadoria, com os cálculos irreais a preencher planilhas sem levar em conta o tudo que falta na mesa dos brasileiros.

Sejamos mais sérios e sensatos, vamos discutir vida e viver, Vamos discutir como e com quanto viver. Vamos repensar o valor do salário mendicância, porque mínimo não é.

A Ford acaba de encerrar as atividades em uma de suas montadoras. De empregos diretos serão quase 3 mil, indiretos, aproximadamente 20 mil. Pronto, simples assim. Nenhuma responsabilidade. O custo Brasil onde são contabilizados impostos e taxas, somados ao  financiamento de legisladores corruptos, tornou inviável suas operações. Explicado. Mas não se explica os custos dos veículos, sejam caminhões, utilitários ou outros, bem acima dos valores praticados em outros países. Simplesmente assim, não temos responsabilidade com nada e ninguém.

Não temos que discutir Previdência Social

Pode ser uma suposição estranha, mas não entendo manter um trabalhador durante 30, 35, 40, ou até 1 ano submetido a condições tão incrivelmente ásperas.

Não vejo debates acalorados entre os que possuem proventos satisfatórios (para não dizer mais), sobre o salário da população, de forma geral. O Brasil usa e abusa de sua mão de obra. Esse país joga sua população no analfabetismo, na doença, na descrença. Tudo o que o trabalhador quer é receber o 13º salário e férias, não para gozar a vida, mas para abater dívidas.

São tantos anos trabalhados sem os benefícios de aproveitar a vida. Comprar um cimento e alguns tijolos para fazer o puxadinho que vai abrigar mais um ramo da família, daquela filha, ou filho, ainda menor, que espera pelo neto, porque não pude lhes dar uma educação de qualidade, aquele conhecimento que evitasse uma gravidez. Só porque sem nada o que pude lhes proporcionar, não viram expectativas de futuro. Tudo o que lhes restou foi a desesperança estampada em meu rosto, na face de tantos pais.

Vamos discutir Brasil, não esse que vocês brincam de possuir, mas um Brasil como Nação. Não acredito que seja mais importante discutir os poucos mais de 10 anos que nos restam e quanto vai nos sobrar após a peregrinação entre o banco e a farmácia, prefiro pensar primeiro em ter qualidade de vida entre os 16 e os 65 anos.

Senhores ministros, a morte aguarda a todos, e ainda acredito na Justiça Divina. Senhora Tereza Cristina, fique na lida durante um tempo com seus “peões”, longe de seu passado de sobrenomes de glórias e, depois, tente repetir essa sua declaração.

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