Doença matou Gabrielly, mas o SUS tem a sua parcela de culpa também

Com apenas 10 anos de idade, Gabrielly Ximenes de Souza não deveria ter sido covardemente linchada em frente à escola em que estudava, no bairro Nova Lima – era nova demais para saber se defender sozinha. Também não deveria ter sido ‘empurrada’ de unidade médica para unidade médica, a verdade é que faltou um ‘maior interesse’ por parte dos profissionais em querer, de fato, saber o que provocava as dores nas suas pernas– muito embora a rede pública pouco oferece em equipamentos que permitam tal processo médico-investigativo. Gabrielly não deveria ter morrido da maneira como foi.

Somente nesta segunda-feira (25) a Polícia Civil apresentou á imprensa o resultado da investigação. Foram dois meses de trabalhos sigilosos e a conclusão, um documento gigantesco de 250 páginas, livrou a parte médica de qualquer responsabilidade. Conforme a delegada responsável, Ariene Murad, da Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij), não foi constatada negligência médica.

Para as autoridades, a menina faleceu em decorrência do agravamento de uma Imunodeficiência Primária (IDP) que ela sempre teve no quadril, embora ninguém da família soubesse. Não é de se estranhar, afinal, trata-se de uma doença silenciosa, sem sintomas, que afeta o sistema imunológico e torna o paciente mais vulnerável a infecções graves. A surra que ela levou das duas meninas, de 13 anos, agravou essa doença e a levou ao óbito dias depois. “A causa mortis deu-se por Tromboembolismo Pulmonar provocado por artrite séptica iniciado pela ação contundente.”, diz o laudo médico.

“Foi evidenciado que o trauma no quadril era algo assintomático, de difícil evidência, tanto que ela comparecia nos postos de saúde, mas com problemas rotineiros como gripes e resfriados.”, ressaltou a delegada Murad, em coletiva de imprensa. Para chegar até essa evidência, os peritos precisaram fazer um procedimento detalhado no corpo. “A perícia realizou um exame específico, minucioso e muito detalhado. É um laudo anatomopatológico em que diversos tecidos de órgãos são analisados, confirmando uma patologia pré-existente”, disse ela.

É ai que nós questionamos

Após apanhar na rua, Gabrielly foi levada para vários postos de saúde de Campo Grande, como os dos bairros Nova Bahia e Coronel Antonino, sempre reclamando de muitas dores nas pernas. A criança era examinada, mas nenhuma resposta de classificação ‘com certeza’ era dada aos pais, que sempre ouviam ‘teorias achistas’ medicadas por dipirona. Sem equipamentos que permitam ao profissional médico promover um exame mais completo no paciente, sobrou para ela ser ‘empurrada’ até chegar à Santa Casa, onde sofreu várias paradas cardíacas, falecendo no dia 06 de dezembro.

E nós perguntamos: será que o Sistema Único de Saúde (SUS) não tem responsabilidade na morte dessa criança? Ora, será que se houvessem nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) equipamentos que permitam ao médico realizar exames mais detalhados em seus pacientes, ao invés de terem que ficar sentados na escrivaninha ouvindo os sintomas para depois ‘jogar no bicho’ e tentar acertar na medicação, casos como o dessa criança não terminariam de outra forma? #reflita

A punição para as adolescentes agressoras

A delegada responsável pelo caso também falou que as duas adolescentes agressoras podem responder por lesão corporal dolosa, entretanto, até segunda ordem permanecerão em liberdade. Para a investigadora, é provável que o juiz dê a elas a liberdade assistida ou prestação de serviços á sociedade. As agressoras negam ter batido na criança, inclusive, uma delas é prima de Gabrielly. Agora, concluído o inquérito, o caso segue para o juizado da infância e adolescência.

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