O assassinato da professora Nádia: 30 facadas

Para as mulheres, relacionamento amoroso com homens se tornou uma espécie de ‘jogada de risco’. Elas, inocentes e apaixonadas, são vítimas de seres possessivos e doentes, que fazem do amor um ‘blefe’ para que sejam ‘escravas de suas vontades’. O mês de Março é inteirinho dedicado a mulheres, aos direitos que conquistaram através de muita luta e sofrimento, mas ainda resta um direito delas que precisa ser reconhecido pela sociedade masculina, o direito de respeitar suas escolhas, sejam essas amorosas, profissionais, de vida.

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A semana do Dia da Mulher não poderia terminar de forma mais triste em Mato Grosso do Sul. Em Corumbá, a professora Nádia Sol Neves Rondon, 38 anos, foi vítima de um ataque de fúria do seu ex-namorado, Edevaldo Costa Leite, de 31 anos. O monstro não aceitava o fim do relacionamento, e tomado pelo Diabo do ciúme a esfaqueou na madrugada de domingo (10). Foram 30 golpes contra a educadora, tudo na frente de sua filha, de 15 anos, que nada pôde fazer para salvar a mãe.

Amor, vida, paixão, coração… Seria tão bom se pudéssemos substituir todas essas 30 facadas que mataram Nádia por 30 palavras de carinho. Edivaldo já tinha perseguindo a ex-mulher há tempos, segundo disseram às testemunhas. Ele foi visto dias antes do crime em frente a casa dela, anteriormente, teria furado os pneus do seu carro numa clara tentativa de ameaça e intimidação.

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Edevaldo Costa, autor do crime; momento em que ele se apresentou à Polícia, ainda usando camisa com marcas de sangue da vítima

Para a investigação, o assassinato pode ter sido planejado. Naquela madrugada triste, Nádia havia saído com um grupo de amigas para celebrar o seu aniversário. Quando retornou para casa foi surpreendida por Edivaldo, que desferiu as facadas acertando o tórax, abdômen, peito, pernas e os braços da vítima. A faca usada no crume chegou a entortar devido a força e a quantidade de golpes aplicados. O cara ainda a puxou pelos cabelos ate a rua, onde abandonou o corpo e fugiu.

O assassino se apresentou pouco tempo depois à delegacia de polícia, de cara limpa, alegou que a professora estava saindo com outro homem e, simplesmente por isso, a matou. Ele responderá por feminicidio, cuja pena varia de 12 a 30 anos de cadeia em regime fechado, pelo menos é isso que a lei determina. Antes, deve passar por uma audiência de custódia. Em Corumbá, amigos da professora protestaram em frente a delegacia após uma informação apontar que o homem poderia ser solto, o que não é verdade segundo a polícia.

De acordo com o site Diário Corumbaense, Nádia era professora de Língua Portuguesa e Inglês nas escolas municipais Pedro Paulo de Medeiros e Isabel Corrêa. Antes, também foi servidora do Estado na Casa do Trabalhador de Corumbá. Ela deixou duas filhas, a mais velha, de 15 anos, e outra de apenas nove anos de idade. O corpo será sepultado em Campo Grande, o dinheiro para o translado foi arrecadado através de uma ‘vaquinha virtual’ feita por amigos e familiares.

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