Cacos de vidro no chão, o SUS da Capital em colapso

Os cacos de vidro esparramados pelo chão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Coronel Antonino, na noite de terça-feira (12), são símbolos de uma realidade que somente o Poder Público não é capaz de enxergar, ou finge não ver. Ninguém vai ao posto de saúde por não ter o quê fazer, todos querem respostas e tratamento para as dores que estão sentindo e, em tempos de epidemia de Dengue, qualquer sintoma já é motivo suficiente para esses pacientes terem seus diagnósticos avaliados.  

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Relatos de pacientes apontam que o tempo médio de espera pelo atendimento médico nas UPAs de Campo Grande é de duas horas, isso nos dias da semana (segunda a sexta-feira), pois aos sábados e domingos esse tempo médio sobe para impressionantes quatro horas. A parte mais demorada está justamente na que trata da consulta com o clínico geral, já que a triagem é feita logo após o paciente dar entrada na recepção.

Recentemente, como estratégia de marketing, a Prefeitura Municipal implantou nas unidades de saúde os ‘agentes fiscais’, pessoas que, na teoria, deveriam dar mais agilidade aos atendimentos e cobrar o cumprimento da jornada de trabalho dos profissionais médicos. Entretanto, conforme denunciam os servidores da Saúde, esses fiscais estariam incitando a violência ao invés de resolverem o problema – que é a falta de médicos.

Na noite de terça-feira, uma mulher de 33 anos teve um ‘ataque de fúria’ após aguardar por atendimento na UPA do Coronel Antonino por mais de quatro horas. Ela deu entrada às 19 horas e até às 23 horas não havia sido chamada sequer para entrar no corredor das salas dos médicos. A mulher reclamou com os servidores da recepção e do serviço social, até dar um soco na janela da sala da triagem, quebrando o vidro.

Do outro lado da janela, os estilhaços atingiram um enfermeiro, que acabou sofrendo cortes leves nos braços e na cabeça. O sangue ficou marcado no chão da sala de triagem e representa todos os servidores da Saúde, especialmente estes que estão na ‘linha de frente’ das unidades médicas (recepção, triagem e assistência social) e que são os que mais sofrem com o problema provocado por outra classe, a dos médicos.

Agora, novamente como tentativa de diminuir a lotação das UPAs, a Prefeitura de Campo Grande diz que 80% dos casos atendidos lá poderiam ser sanados nas chamadas Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde as pessoas precisam passar por um clínico geral para conseguir um pedido de exame ou encaminhamento para o atendimento médico especializado, sem saber quando será possível realizar essa consulta ou fazer o exame. É só outra parte do SUS que funciona em ritmo lento, mas o Poder Público não vê.

 

Foto de capa: Henrique Kawaminami/Campograndenews

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