Gamers defendem jogos após comentário de Mourão

Está em discussão nas redes sociais a influência que os jogos eletrônicos (de videogame) têm no comportamento e formação de adolescentes e jovens. O tema, sempre muito polêmico, voltou (porque sempre foi) a ser debatido após o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmar que “os jovens estão muito viciados em videogames violentos”. O político falava sobre o massacre da Escola Estadual Raul Brasil, de Suzano (SP), que resultou na morte de 11 pessoas, entre adolescentes e adultos, ocorrido na quarta-feira (13), quando soltou o seguinte comentário:

“Estou muito triste com essa situação. Temos que entender o porquê de isso estar acontecendo. Essas coisas não aconteciam no Brasil. Na minha opinião (…) vemos essa garotada viciada em videogames (…) violentos. Tenho netos e os vejo muitas vezes mergulhados nisso aí. Quando eu era criança, jogava bola, soltava pipa. A gente não vê mais essas coisas. Lamento profundamente tudo o que ocorreu”, disse ele, ao chegar para trabalhar no Palácio do Planalto.

Imediatamente, games de todo o país passaram a compartilhar suas experiências com os jogos e usaram a #somosgamesnaoassassinos, principalmente no Twitter, para criticar a opinião do vice-presidente. “Eu fico muito triste vendo pessoas colocando a culpa de uma chacina em jogos, eu jogo free fire [jogo de tiro] e nem por isso saio por ai matando nem dando panelada em ninguém #somosgamersnaoassassinos”, postou uma usuária na rede social.

“Eu tenho 15 anos, jogo muitos jogos e não sou uma pessoa violenta. Sabe por quê? Porque não tenho tempo para pensar em maldades porque estou jogando e me divertindo ou estou estudando ou ajudando minha mãe ou saindo com os meus amigos”, comentou outro internauta.

O assunto também migrou para jogos de outros tipos, como os de corrida de rua. “Jogo ‘Need for Speed’ [jogo de corrida] desde pequeno e nem por isso pego o carro dos meus pais e tiro racha nas ruas”, postou um gamer na rede social. “Colocar a culpa nos jogos é mais fácil que admitir que as escolas precisam de psicólogos; os pais estão ausentes na criação dos filhos; as escolas estão despreparadas para casos de bullying.”, comentou mais uma pessoa, no Twitter.

O ponto de início

A discussão sobre o assunto já havia começado antes mesmo da fala do vice-presidente Mourão. Logo após o ato na escola várias pessoas usaram a rede social para criticar o consumo de jogos de tiro por adolescentes. O tema surgiu porque, conforme a polícia que investiga o caso, os dois atiradores tinham o hábito de passar horas e horas numa lan house jogando, especialmente jogos de tiro e guerra.

A investigação disse que apreendeu no carro usado pelos atiradores dois cadernos com anotações referentes a táticas e segredos de jogos deste tipo, nele também havia o desenho de uma arma de fogo. Na lan house que a dupla frequentava, foi recolhido um computador que teria sido usados pelos adolescentes dias antes do crime. Também foi descoberto que um deles participava de um fórum intitulado ‘Dogolachan’ na ‘Deep Web’, uma espécie de internet considerada obscura.

Os atiradores, Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro, eram amigos de infância e moravam a pouco mais de 1 quilômetro de distância do colégio. Guilherme foi criado pela avó, que morreu há cerca de três meses. Luiz vivia com os pais, um irmão mais velho e o avô. Ele era jardineiro e trabalhava na Zona Leste de São Paulo.

A principal arma do crime foi um revólver calibre 38, com numeração raspada, eles também tinham jet loaders, que são dispositivos pequenos, feitos de plástico, com cinco furos onde a munição é encaixada. A dupla ainda portava um arco e flecha e uma balestra (besta), que não é considerada uma arma e tem venda livre, e deixou uma falsa bomba dentro de uma bolsa. A investigação acredita que eles planejaram esse ataque durante um ano.

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