Sempre dependente de terceiros, o que fará agora Carlos Marun?

O que fará, da vida, Carlos Marun? O ex-ministro está fora de cargos eletivos e, agora, também fora do cargo de diretor da Usina de Itaipu Binacional, empreguinho esse que lhe rendia pouco mais de R$ 27 mil por mês sem precisar fazer muita coisa. Com o seu partido, o MDB, em ruínas tanto na esfera nacional quanto estadual, o veterano político tem ainda para o seu desfavor a sua imagem completamente desgastada e, diga-se de passagem, algo que não vai ser recuperado tão facilmente.

Formado em Engenharia Civil e Direito, Marun atua no quadro político desde os anos 80, mas foi na década de 90 que ganhou destaque ao ocupar cargos públicos graças ao amigo André Puccinelli, que o colocou como diretor da Agência Municipal de Habitação (EMHA) da Prefeitura Municipal de Campo Grande, função que ocupou de 97 a 2004. Marun sempre se orgulhou de dizer que ‘desfavelou’ Campo Grande naquela época, diminuindo de 172 ocupações para apenas nove.

Quando André assumiu o Governo do Estado, Carlos Marun tornou a ocupar um cargo público, sendo nomeado secretário Estadual de Habitação e Cidades e presidente da Agência de Habitação Popular, ficando até 2014. Já sem a presença de Puccinelli, Marun foi indicado por outro amigão, o presidente Michel Temer, que o colocou como ministro de Governo após o defender dentro do Congresso Nacional.

Sempre por influência direta de André, Marun conseguiu se eleger para vários cargos eletivos. Primeiro foi vereador da Capital, em 2004, ficando até o final de 2006; em seguida, deputado estadual, no ano de 2006, por fim, foi deputado federal em 2014. Como esteve lotado na Secretaria de Habitação e no ministério, exerceu os cargos legislativos por muito pouco tempo.

Nos últimos anos, a figura de Marun passou a ser vista na porta de cadeias, não por ter sido preso, mas por estar visitando seus amigos: o ex-governador André Puccinelli, em 2018, e o ex-presidente Michel Temer, mais recentemente. Já sem contar com a presença de André no seu palanque, Marun tem hoje a sua carreira na política em xeque. Para completar, a imagem pessoal ficou bastante gasta ao defender Temer.

Agora desempregado, Marun deve esquecer a vida pública

O último cargo ocupado por Marun foi na Usina de Itaipu, um presente dado por Michel Temer. Ele assumiu o posto em janeiro deste ano, tendo como missão principal aprovar e chefiar a construção de duas pontes na fronteira do Brasil com o Paraguai, uma delas em Porto Murtinho.

Mas para a surpresa do ex-ministro, na segunda-feira (25) o desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em liminar, suspendeu o ato da sua nomeação. A ação popular para impedir a nomeação foi impetrada pelo advogado Rafael Evandro Fachinello e apoiada pelo Ministério Público Federal (MPF), alegando que a nomeação fere o artigo 17,  parágrafo 2º, da Lei das Estatais, que dispõe que ministros não podem participar de conselhos de administração de estatais.

Em primeira instância, o pedido de liminar foi negado porque a gestão de Itaipu é dividida com o Paraguai. Ao analisar o pedido de tutela antecipada no recurso, desembargador concordou com os argumentos apontados no requerimento para conceder a liminar. Segundo Favreto, a Lei das Estatais se aplica à empresa porque “restrições e limites na ocupação e exercício de cargos e funções públicas aplicam-se a toda a administração federal, incluída a empresa pública Itaipu, mesmo que de conformação binacional”.

Na decisão, Favreto afirma que o tratado constitutivo de Itaipu estabelece participação de 50% para cada país na contratação de empregados, cabendo a cada um selecionar os que farão parte de sua metade, desde que em conformidade com a Constituição e leis internas.  “Logo, não se trata de nomeação de natureza discricionária do Presidente da República, como entendido na decisão agravada, mas sim designação subordinada a determinados preceitos superiores, como os previstos na Lei 13.303/16, de ordem protetiva à probidade e moralidade administrativa”, concluiu o desembargador, concedendo a liminar e suspendendo a nomeação.

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