A demissão de Marcelo Vilela e a estratégia de Marcos Trad para 2020

No mundo do futebol, quando um time não vai bem quem costuma ‘pagar o pato’ é o treinador. O profissional que comanda o time é sempre o primeiro a ser responsabilizado e punido pelos maus resultados. Na política, não é diferente. Em Campo Grande, a epidemia de Dengue somada a falta de médicos provocou uma cenário caótico nas unidades de saúde (UBSs, UPAs, CRSs), com pacientes aguardando até quatro horas para serem atendidos e servidores (da linha de frente) pressionados. Diante deste quadro, com a Saúde Pública indo de mal a pior, sobrou para o secretário municipal da Sesau a responsabilidade, paga nesta sexta-feira (29) com a sua demissão.

Marcelo Vilela já foi um dos homens fortes do prefeito Marcos Trad, mas o reconhecimento não era o mesmo dentro da Saúde Pública de Campo Grande, onde muitos servidores não o aprovavam. Aliás, essa relação com os servidores foi a ‘gota d’água’ para a sua demissão, principalmente neste início de ano, diante do transtorno provocado pela epidemia de Dengue que superlotou unidades de pronto atendimento e centros regionais de saúde totalmente despreparados para a situação, mesmo ela já sendo prevista. Agora, sai Vilela e entra o ortopedista José Mauro Filho, ex-diretor-clínico da Santa Casa e sem filiação partidária.

A estratégia para 2020

Mas não foi só isso que motivou a demissão de Vilela, existe outro fator ainda mais importante para a decisão radical. Desde que os problemas de demora no atendimento nas unidades de saúde começaram a surgir nas redes sociais, o prefeito Marcos Trad passou a utilizar isso ao seu favor, promovendo visitas surpresas nas UPAs, UBSs e CRSs, muitas vezes ‘pegando’ profissionais ‘morgando’ ao invés de prestar o atendimento. Os vídeos feitos dessas surpresas eram jogados nas mesmas redes sociais, beneficiando diretamente a imagem do gestor.

A estratégia de marketing deu certo, diga-se de passagem, foi uma das melhores já realizadas pela equipe de Marcos Trad nesses três anos de gestão. Nas ruas, todos comentam sobre a ‘bronca’ que o prefeito havia dado nos médicos que não estavam trabalhando como deveriam. Mas faltava algo ainda mais impactante, uma espécie de ‘fechamento de ouro’ para essa série publicitária. Eis então que temos a demissão do secretário de Saúde, Marcelo Vilela.

Agora, para o eleitor, Trad passou a ser o ‘herói’ de um sistema de saúde que não funciona como deveria, hora por causa da estrutura precária das unidades, hora por conta de maus servidores. Marcos sabia que dificilmente conseguiria resolver o problema da lotação, brilhantemente, jogou a situação em cima daqueles que são responsáveis por fazer ‘a coisa’ acontecer, saindo por cima, no lucro. Não será surpresa se aqueles vídeos das visitas surpresas e toda a ‘broncaiada’ aparecerem nas propagandas de sua futura campanha de reeleição no pleito que está por vir.

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